Neste domingo, 18, uma avenida foi fechada para os carros e aberta para a utilização pública da via em São Paulo. Esta notícia pode soar que mais uma rua foi fechada para abrigar uma feira popular ou reservada para um desfile comemorativo qualquer. E daí?

Mas a via que foi fechada foi a Avenida Paulista, dentro do Programa Rua Aberta, da Prefeitura de São Paulo. Palco de inúmeras manifestações, centro econômico e referência turística, esta via tem mais valor ideológico do que estrutural. Qualquer ação realizada neste espaço ganha projeção imediata. 

Em entrevista ao Portal G1, o Prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, afirmou que o fechamento da Paulista todo domingo será uma constante e que o plano será extensivo por outras vias em toda a cidade, coordenada pelas subprefeituras que já apontaram os locais que serão destinados para os pedestres, ciclistas e outros adeptos de piqueniques, encontros e música.

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Essa decisão do prefeito já gerou atritos com o Ministério Público Estadual, que afirma que Haddad deve seguir o que está determinado no Termo de Ajuste de Conduta (TAC) firmado em 2007, que previa apenas três interdições da avenida para a realização de atividades. Este documento também prevê a multa de R$ 30 mil reais por cada descumprimento.

Apesar de ter conhecimento do termo, o prefeito de São Paulo rebateu dizendo que ele está defasado, pois foi pactuado antes do Plano Nacional de Mobilidade e que também o documento trata sobre eventos particulares e não de atividades públicas, como é o caso da iniciativa da prefeitura. E na mesma entrevista ao G1, Haddad se defendeu alegando que os acessos a serviços essenciais e de moradores estão protegidos e liberados.

O TRÂNSITO E A MUDANÇA DE COMPORTAMENTO

Criminalizar o uso e o automóvel também não soa como justo em nosso país, tão dependente de transporte.

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Símbolo do desenvolvimento industrial, ícone do status social e, principalmente, representante do paradigma nacional que permeia entre o rural e o urbano, os carros servem para um Brasil que encontra o seu paradoxo mais desafiante em mais de 500 anos de existência: qual futuro devemos escolher?

Ainda somos uma nação desenvolvimentista em muitos aspectos, porém, estamos globalizados suficientemente para querer atingir níveis de desenvolvimento sustentável igual ou melhor que nações de primeiro mundo, e esse caminho passa essencialmente pelo caminho que se quer trilhar daqui para frente.

Já fomos muitos mais integrados e conectados geograficamente por ferrovias, que tinham o papel de transportes de cargas e passageiros e pela  imensa malha ferroviária compatível, à época, ao tamanho do nosso território. E por incrível que pareça o crescimento do país passará pelo formato de mobilidade urbana que será definido pelo presente. E estamos sendo cobrados novamente para retomar esse ciclo ferroviário país afora. 

Haddad ao abrir a Avenida Paulista para o lazer coletivo e individual não quer apenas oferecer mais uma opção para o paulista se divertir e exercitar com as bikes, skate e patins.

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Na verdade, ele quer infiltrar um novo conceito de comportamento que terá reflexos a curto prazo, mas os efeitos de longo e, tomara, duradouro prazo.

CONCEITO GLOBAL - A decisão do prefeito de São Paulo parece seguir uma tendência mundial sobre mobilidade urbana. Um vídeo divulgado pela TVT mostra a abertura da Champs-Élysées para pedestres em Paris em setembro agora, com a presença dos prefeitos de Bruxelas, São Paulo e Bristol.

#Opinião #Sustentabilidade #Blasting News Brasil