A adolescência é uma fase de passagem e de transformações físicas e psicológicas que influenciam a construção da identidade. Os adolescentes que sentem forte sofrimento psíquico durante essa fase, podem fazer uso de substâncias psicoativas lícitas e/ou ilícitas como forma de superar esses conflitos. Pesquisas demonstram que é na passagem da infância para adolescência que se inicia o uso dessas substâncias. É nessa etapa que o jovem rompe com a infância e é trazido para a vida adulta, deixa as brincadeiras e assume responsabilidades.

As características da adolescência envolvem:

  1. transformações físicas – na menina: crescem os seios, surge a menstruação, afina a cintura. No menino, surgem pelos na face, a voz engrossa, polução noturna. Em ambos aparecem as espinhas;
  2. transformações psicológicas – irritabilidade, solidão, depressão, baixa autoestima;
  3. transformações intelectuais - as meninas amadurecem mais rápido que os meninos.

Com as transformações, surgem as comparações.

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Como ainda não estão completamente desenvolvidos, podem não ser considerados belos pelos padrões estabelecidos pela mídia. Tornam-se alvo de preconceitos e de zombarias pelos colegas e relacionar-se com os demais desenvolve um sofrimento esmagador.

Atravessar essa fronteira requer um suporte que muitos adolescentes encontram nas drogas, por não possuírem um canal de comunicação eficaz com seus pais. A vontade de ser aceito e pertencer a determinado grupo faz com que muitos adolescentes utilizem a droga como agente integrador.

Isso ocorre porque na infância observam-se as festividades regadas a bebida: churrasco, casamento, copa do mundo, ano novo. Nos melhores momentos da vida o álcool está presente. Associa-se bebida à alegria e confraternização e, desta forma, o adolescente incorpora a bebida no convívio com os amigos.

Adolescentes que foram crianças superprotegidas podem sentir-se incapazes de atuar sem o auxílio dos pais e/ou intimidados com sua presença quando os outros pais estão ausentes da vida de seus filhos.

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Muitos são ridicularizados quando vistos em companhia de familiares, sendo tachados de filhinho da mamãe/papai. A sociedade pós moderna não tolera o fracasso e é rude com os fracos. Como não quer ostentar esse rótulo, recorre a artifícios parceiros de seu drama, por acreditar que ninguém é capaz de entendê-lo.

Essa frustração cria no adolescente a ilusão de que a droga pode proporcionar superação da problemática do relacionamento intra e interpessoal. Assume-se um #Comportamento autodestrutivo como solução para as angústias e fuga das responsabilidades. A ingestão das drogas mascara as dificuldades relacionais e substitui o confronto direto com os problemas. Age como um fator distorcedor da realidade, tornando-a mais aceitável às exigências da sociedade.

Esses sentimentos conflituosos de adaptabilidade e de construção de uma identidade própria demonstram a influência que o meio social e o ambiente em que o adolescente está inserido possui no consumo das drogas.

Por outro lado, o adolescente possui um comportamento de risco.

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Segundo pesquisas britânicas, apesar dos adolescentes possuírem capacidade de discernimento, eles optam por vivenciar situações perigosas pela sensação alcançada. Desta forma, ele consume essas substâncias para obter prazer em se expor ao perigo.

O papel que as drogas ocupam durante a adolescência é o de fornecer suporte, mesmo que ilusório, às suas dificuldades de lidar com suas frustrações e facilitador de comportamento de risco. A sociedade necessita repensar meios de intervir e auxiliar essa transição de forma que seja menos traumática e suportável para os adolescentes. #Família