Ao longo dos séculos, adultos ensinam crianças que religião não se discute. E parece que eles tinham razão. Porque, realmente, ela não está sendo discutida, ela está sendo derramada em sangue. Cristãos, judeus e muçulmanos possuem coisas em comum: creem em um único deus, pregam a paz, o respeito e o amor.

Agora, sim, há uma problema de lógica, uma vez que se o deus de um é verdadeiro, os outros são falsos. Desse ponto de vista, apenas um pode estar “certo”.

Diante disso, o respeito, a paz, e todo o conceito de unidade vão pelos ares. E não é de hoje. A humanidade já viu este tipo de conflito acontecer na Irlanda do Norte, Índia, Paquistão, Oriente Médio, África, Europa (Holocausto), Bálcãs, Cruzadas e a lista poderia ser muito mais extensa.

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Além disso, grupos formam-se dentro dessas grandes instituições e seguem caminhos ainda mais divergentes. Os fundamentalistas, ou radicais, deixaram o contexto tão confuso, que a impressão que se tem é de que esqueceram as premissas mais simples e claras de toda crença e fica difícil compreender como um muçulmano moderado acredita no mesmo deus que um homem-bomba, por exemplo.

Entenda que, historicamente, o suicídio e a violência não são bem quistos no islamismo, nem no judaísmo, e nem no cristianismo. O problema está na interpretação de suas divindades.

A sociedade moderna, ocidental ou oriental, tem dedos apontados para si e bocas, colocando a responsabilidade na falta de fé. Para muitos, a intolerância é justificada pela ausência de deus. Essa falta de respeito possui algum sentido apenas quando se trata de não aceitar a própria intolerância, o que é bem paradoxal não é?

No entanto, "caso não acredite no mesmo deus que eu, ou não o veja da mesma forma, você está condenado, e não alcançará a salvação/céu/terra prometida".

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Ninguém concorda em coexistir.

O perigo está neste fanatismo usado como ferramenta para atiçar o ódio e gerar conflitos. As guerras e demonstrações de poder são maquiadas por dogmas, e, no fim do enredo, não há consenso. O número de mortos em decorrência do extremismo religioso ultrapassa o de vítimas fatais em desastres naturais e acidentes com influência indireta do homem.

Parece insanidade. O motivo que mais tirou vidas na história mundial é justamente aquele que poderia ser regulado ou extinguido, pois ninguém puxa um gatilho ou aciona um detonador para que haja um terremoto ou um tsunami. A arma não é de fogo, não é química, biológica ou nuclear. É uma convicção. #Igreja #Opinião #Terrorismo