Os ataques terroristas que ocorreram em Paris no sexta-feira (13) deixou o planeta chocado. Uma tragédia que tem traços de uma cena apocalíptica: 130 mortos confirmados e mais de 200 feridos, alguns dos quais em estado crítico. Além disso, os franceses, desde então, vivem em um estado de terror.

O #Estado Islâmico atingiu um dos centros da democracia europeia, berço do iluminismo e do estado laico. A França foi o país que introduziu o sistema democrático moderno e o espalhou para os outros países da Europa e no mundo. A França pela segunda vez está ajoelhada, após o atentado à redação do Charlie Hebdo e os ataques à um empreendedor no Sul do país.

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Estes atentados criam as premissas de um amplo debate: Como foi possível que os serviços de inteligência franceses não interceptaram qualquer suspeita? Será que os ataques teriam ocorrido se a França não tivesse participado do confronto contra o ISIS na Síria? Estas são perguntas legítimas. Apenas dois dias antes dos ataques na França, um ataque similar havia ocorrido no Líbano em uma área altamente segura. Neste tipo de eventos, a relação de causa-efeito deve ser estudada de perto.

É preciso também colocar outra questão no debate: a comunidade muçulmana na França é muito grande. Nos últimos anos, as tensões religiosas ficaram cada vez maiores. Se pense às cenas de guerrilha nas banlieue de Paris, os subúrbios das cidades francesas, de 2005, onde centenas de migrantes saíram na rua para manifestar contra o governo.

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As tensões religiosas têm uma tradição de se desenvolver mais tarde em violência significativa.

Outra coisa que é preciso lembrar: a grande parte do território da África do Norte, o Magrebe, foi parte do império colonial francês até a metade dos anos 50 do século passado. Por isso, entre os muçulmanos franceses (muitos deles de origem africana) há uma onda de ódio reprimido contra a república francesa, pois durante a época colonial os recursos destes países foram explorados pela França.   

Como se pode ver, há muitas razões de conflito, mas que não justificam o ato para esses ataques. Porque então a administração francesa, em especial os serviços de inteligência e informação, não conseguiram prever todos esses riscos? O senso comum nos diz que toda ação tem uma reação. Nestes casos particulares, mais de 130 pessoas morreram. É um preço que a França assumiu, conscientemente, ou não. #Opinião #Terrorismo