Um artigo da Foreign Policy, assinado por Rosa Brooks, destaca algumas “verdades inconvenientes” sobre o fenômeno terrorista. Em função destes fatos, a autora aponta soluções que são partes de um conceito único: o #Terrorismo é um problema específico da sociedade moderna, que não pode ser derrotado, mas sim, gerido.

Não é possível controlar todas as fronteiras

Os Estados Unidos têm quase 100.000 milhas de linha marítima, a Grécia tem milhares de ilhas, e, no caso do Brasil, são milhares de quilômetros de fronteira terrestre e marítima por onde um terrorista poderia entrar. Além disso, o tráfego aéreo envolve milhares e milhares de pessoas, por todo o mundo.

Publicidade
Publicidade

Tal como a Muralha da China não protegeu o império chinês dos bárbaros do Norte, não conseguiremos estar em todo o lado

Mais vigilância não resolve tudo

Bem, Edward Snowden pode reclamar que já estamos sendo vigiados, e já é sabido por todos que a própria presidente Dilma já teve seus dados vazados pelos serviços de um país amigo. A espionagem cria milhares e milhares de gigabytes de dados - mas nenhum serviço consegue processar tanta informação para identificar um agressor.

E mesmo que o #Estado Islâmico e o Boko Haram sejam derrotados no terreno - o que representaria uma vitória para as populações locais - isso não impede que as ideologias do ódio e da destruição continuem a circular pela internet (quem se lembra do atentado na Noruega causado por um louco solitário?).

O terrorismo causa menos mortes do que outros problemas 

Rosa Brooks se refere também a um estudo internacional que aponta para cerca de 32.000 o número de vítimas causadas pelo terrorismo em 2014, sendo a maioria delas em países já afligidos por guerras civis ou revoltas militares.

Publicidade

Na verdade, e para além da ação militar, existem causas de morte bem mais preocupantes, como o uso de armas de fogo nos Estados Unidos - ou aqui mesmo no Brasil, onde se aponta para uma estatística de 56.000 homicídios só no ano de 2012. Para não falar em simples quedas ou acidentes por envenenamento, também aos milhares só nos EUA.

E quanto aos desastres de automóvel? Cerca de 40.000 pessoas morrem por ano nas estradas brasileiras. É bem menos provável você encontrar um terrorista do Estado Islâmico do que um condutor descontrolado dirigindo na Rodovia Anchieta ou na Avenida Brasil.

Solução: não se pode recompensar os terroristas

O artigo da Foreign Policy recomenda que as sociedades (ocidentais e não só) deixem de recompensar o terrorismo. Se a reação aos ataques de Paris for segurança mais apertada e mais ódio contra os muçulmanos e os refugiados, o Estado Islâmico só tem a ganhar, em recrutamento e na concretização da sua visão do mundo.

Os recursos empregados em defesa, como segurança e vigilância, serão necessários noutras áreas.

Publicidade

Além de que, será necessária mais criatividade por parte das comunidades, como incentivo a delação de indivíduos perigosos, bem como apostar na reabilitação destes.

Contudo, o mais importante é mesmo manter os nossos valores e a nossa visão do mundo. Os belgas já deram um passo para isso, reagindo com gatinhos no Facebook para proteger as operações policiais contra a informação terrorista. É preciso continuarmos com as nossas vidas, e termos mais atenção dirigindo na estrada. #Opinião