O mundo evoluiu e com ele novos hábitos ganharam força: a vida de um casal é com muito trabalho, ambos tentam seguir suas carreiras e obtêm cada vez mais rápido os objetos de desejo que o mundo do consumo estimula. Nesse novo tempo, casar não é um problema, mas o mesmo não se pode falar sobre ter filhos, que atrapalha o desempenho econômico de ambos os cônjuges.

Desta forma, os casais resolvem ter filhos planejados cada vez mais tarde e com a ajuda da medicina não é mais novidade mães com idade superior a 45 anos. Os filhos não planejados são cada vez expostos à realidade da vida muito cedo: drogas, violência e solidão.

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A solidão é para todos

A solidão parece ser a única constante de toda essa equação, pois com o passar dos anos, os casais podem ser vangloriar de cada um ter a sua própria vida econômica, mas pouco se pode falar dos conceitos familiares mais clássicos. Os filhos, quando existem, estão cativos no uso indiscriminado de jogos e rede sociais de desconhecidos.

Na verdade, o lazer está cada vez mais ligado aos aspectos econômicos, com passeios customizados e com temporizadores, como se a diversão tivesse o tempo certo para durar. A vida é apática e sem graça, pois todos os estímulos estão em pequenos visores que transportam a todos para mundos imaginários e irreais.

A única coisa real é quando falta a energia e a angustia toma conta de todos, como se o tivessem tirado o ar. É uma prisão ao ar livre, mas nem tão livre, pois o custo dela é o mais caro de todos.

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Dependentes tecnológicos

Uma característica comum a todos é que a droga é a mesma, vinculados a tecnologia, não é possível conceber a vida sem ela e parece que a falta dela pode levar à morte.

Como se encontrar com milhares de amigos, tendo que se locomover e gastar no trânsito? Como achar um produto, se tiver que percorrer ruas reais, sem a garantia que vai achá-lo em alguma loja? Como encontrar o par ideal, sem saber os pré-requisitos de antemão e correndo o risco de ser enganado? Como procurar um emprego novo, sem ser visto pelo atual patrão?

São tantos os caminhos desconhecidos no mundo real que este foi aparentemente esquecido pela nova geração. Afinal, como podem ter vívido sem todo esse aparato tecnológico e de informação?

Conhecer gente é um ato de coragem

Na verdade, toda a parafernália serve para isolar e garantir um ambiente tranquilo e a salvo do mundo real, que traz surpresas, boas e más, pode produzir alegrias duradouras, mas também traz frustrações. A vida não existe na tecnologia, mas ela deveria apenas ser um ator coadjuvante e não o principal.

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A vida deveria ser baseada em cheiros e cores reais e não inodoro e com algumas poucas nuances de cor, limitando a acuidade da visão, limitando a capacidade de reconhecer objetos pelo cheiro. A vida está mostrando claro sinais de mudança, seja pela mudança climática, seja pela introdução de doenças como autismo, onde o afeto e a sensibilidade não participam do papel central, mas indicam que algo está em desequilíbrio.

Assim, nesse ano que chega: que tal esquecer um pouco o #Celular e conversar com quem está ao seu lado um pouco (ele pode não estar lá para sempre); soltar as mãos do teclado e abraçar e apertar a mão de alguém real; perder um tempo em uma padaria ou em um bar para conversar com o garçom; parar um tempo no parque e eventualmente olhar para o céu; sentir o cheiro da sua rua, pois é através dele que vai saber o caminho de volta.

Feliz Ano Novo e que tenhas coragem de mudar. #Opinião #Comportamento