Ficar do Oiapoque ao Chuí criticando os governos como os únicos responsáveis pela crise que assola o país e, de resto o mundo, é muito cômodo e pouco para não dizer folgados.

E muito menos cabe ao governo utilizar da máquina midiática para ficar alardeando aos quatro cantos do país, ao tentar influenciar que os brasileiros vivem em um país tropical abençoado por Deus. Mentira. Essa retórica não cola mais, pois há muito deixamos de viver num paraíso, quando os portugueses aqui aportaram e destruíram o que havia de puro e mais belo neste éden, decantado pela publicidade interesseira economicamente. Este lugar melhor no mundo deixou de existir com o caos social que assola a todas as cidades cosmopolitas, pois não há infraestrutura suficiente para atender a tanta demanda daqueles que deixam os grotões sonhando com um mundo nas cidades grandes.

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Na verdade, as consequências sociais da crise financeira são sentidas mundo afora, em virtude da própria crise do capitalismo. O comunismo como a possível saída para um mundo mais igualitário, pega na sua base, pois ele está cheio de defeitos estruturais. A necessidade de uma outra via para reger a economia mundial, bem como outras soluções como alternativas de vida que visem um mundo mais igualitário, não têm eco, embora sejam interessantes, mas economicamente marginais ou não.

Sem muita explicação para a crise, o brasileiro crítica, ameaça, faz greve, mas no dia seguinte acorda cedo para trabalhar, mesmo que tenha de enfrentar todas as mazelas cotidianas pois tem de produzir o seu sustento e, quando casado, da família. Portanto, se de um lado, não lhe sobra tempo para participar de movimentos que possam possibilitar-lhe alguma mudança social.

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Noutro, por mais que se sinta diante de um contexto considerado insuportável, ou sobre forte insatisfação sobre a retração a que o governo o submeteu, ele se cala. Emudece. Impotente não se sente capaz e se esboça alguma reação, fica a pensar no que sua ação poderá provocar ante a uma retaliação que possivelmente poderá agravar ainda mais a tua triste realidade.

Refém em sua caverna, ele se tranca e esquece que é um cidadão habituado a viver em na sociedade. Ele se ignora por temer o sistema, pois sente que ele é perigoso e recusa a enfrentar a truculência que os embates de rua estabelecem. Certo é, que o cidadão só vai tomar uma iniciativa se ele for provocado a ponto de se sentir comovido com determinada emoção coletiva, que vá despertar o seu brio, levando-o ao enfrentamento, do contrário, continuará, calado, silenciosamente, como se nada ocorre quando ele fecha os portões de sua casa.

De resto, o alento de que em março, passado o carnaval, quando o país ameaça esquentar as turbinas das máquinas governamentais, vem com a iniciativa, as primeiras rodadas com vistas às eleições municipais para prefeito e vereadores.

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Quem sabe este ano o inconsciente coletivo funcione e o brasileiro aprenda a escolher melhor os seus candidatos, apostando com esse gesto, num país mais democrático, plural, e que o desenvolvimento econômico assinale patamares próximos do que está sendo estimado. #Comportamento #Crise econômica