A pena de morte sempre foi um tema polêmico nos #EUA, onde os cidadãos e a justiça ainda recusam deixá-la de lado. Uma pesquisa recente mostra que a tendência da pena de morte está mudando no país, em 2015 houve uma queda nas condenações em 33%, um recorde. Essa informação veio do Death Penalty Information Center no relatório de fim de ano da organização.

A maioria dos estados americanos mantém esse tipo de sentença: são 31 estados com a pena capital contra 19 onde ela foi abolida. O que não quer dizer que todos esses estados façam uso da pena: só 2% dos EUA foram a origem do total de penas de morte do ano. Isso mostra como o próprio sistema jurídico começa a abdicar dela.

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Segundo o relatório da DPIC grande parte do povo americano entrevistado preferia uma sentença perpétua à execução, dando à pena de morte a maior oposição desde 1972.

Libertados da fila de espera

Em 2015 foram 6 prisioneiros libertados da pena capital. Somados os tempos de prisão de todos atingiam mais de 1 século, individualmente eles passaram uma média de 19 anos aprisionados.

  • Debra Milke: foi acusada de assassinar seu filho em 1990. A sentença era de morte. Em 2015 ela foi liberta e livrada de todas acusações após ter perdido 23 anos de sua vida no cárcere. A única evidência que a ligava ao crime era o testemunho de um policial com antigas acusações de má conduta, incluindo mentir sob juramento.
  • Anthony Ray Hilton: a sentença foi dada devido à acusação de ter assassinado dois trabalhadores. A prova eram as balas nos corpos da vítima que segundo um especialista tinham vindo de uma arma encontrada na casa de Anthony. Em 2002 três especialistas concluíram que as balas não poderiam vir da arma de Anthony, porém a acusação só foi retirada em 2014 quando novos especialistas repetiram a afirmação. Anthony havia perdido quase 30 anos de sua vida aguardando a execução.
  • Willie Manning: em 2013 Manning estava a 4 horas de ser executado por um assassinato duplo de duas jovens estudantes quando a execução foi cancelada. Isso porque foi descoberto que os testes de DNA e digitais do FBI que deram base ao caso estavam errados. Uma outra acusação por mais 2 assassinatos o mantiveram à espera da morte, porém em 2015 as acusações foram retiradas após a descoberta de depoimentos falsos da testemunha.
  • Alfred Brown: Brown era acusado de matar um oficial e um atendente em 2005. O tribunal do Texas retirou suas acusações ao serem liberados dados telefônicos que provavam que Alfred não poderia estar no local do crime na hora exata.
  • Laurence William Lee: depois de 28 anos encarcerado William teve todas as acusações retiradas. Ele era acusado de um assassinato triplo, porém erros no processo e no julgamento foram encontrados que levaram à sua declaração de sua inocência.
  • Derral Hodgkins: acusado do assassinato de uma garçonete, Hodgkins foi liberado em 2015. O tribunal decidiu que não existia evidências suficientes para que a execução ocorresse: nenhuma das testemunhas havia visto o homem na cena do crime, as digitais não batiam com as de Derral e o DNA encontrado numa garrafa ensanguentada não era dele.

Além desses existem casos dos condenados que morreram mesmo sem provas o suficiente para isso.

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Opinião pública

Casos como esses trazem uma discussão séria sobre a validade da pena de morte. Teoricamente ela deveria ser reservado aos piores crimes onde não existe dúvida do culpado, porém é humanamente impossível ter a certeza de culpa em grande parte dos casos.

Ao redor de 61% dos entrevistados manifestaram apoio à pena de morte, pode parecer um número alto, porém houve um tempo em que o apoio era de 80%.

Outro problema sobre a pena de morte são os meios utilizados para a execução: como é necessário que a morte seja humana e sem sofrimento para o prisioneiro são necessárias drogas caras que nem todos os estados possuem ou querem comprar. #Violência