Ballet para cego(a)s, uma inovação

Quando alguém pensa que já viu de tudo, pode se surpreender com a graça de uma bailarina clássica, que não fosse anunciado um pequeno detalhe pelo sistema de som ao final do ato, ninguém perceberia na platéia que ela era cega. Os movimentos sincronizados com a professora Gracie, que teve a audácia de quebrar mais um tabu ao incentivar uma aluna a participar do espetáculo anual da #Escola de Ballet de Bauru que fica no Teatro Municipal da mesma cidade, dezembro passado.

Abertura e surpresa para a platéia

O ato foi muito lindo e os movimentos eram conduzidos pelas mãos da professora que indicava sutilmente os movimentos mais sincronizados entre as duas no espaço do palco.

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A bailarina adolescente mostrava bastante confiança e chegou a fazer movimentos de rotação sozinha, indicando ter uma noção de espaço muito boa. O fato de ser a abertura do espetáculo representa um grande desafio, pois a primeira apresentação no início de um espetáculo que durou mais de uma hora e com toda a escola, cada grau apresentando parte de um conjunto bem ensaiado e trabalhado ao longo do semestre. Ao final, a bailarina foi ovacionada por toda a platéia de pé, pois, além de ter sido uma excelente apresentação, mostrou a força de vontade de uma aluna que tem vencer vários obstáculos, inclusive a falta de acessibilidade do próprio teatro.

O preconceito ainda é o principal empecilho ao homem

A deficiência só é um problema aos olhos de quem é preconceituoso ou não tem a capacidade de desafiar o passado.

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A apresentação dessa bailarina deve abrir mais uma possibilidade para as muitas crianças cegas, que poderiam se dedicar à dança, à música, à fotografia e às artes em geral. O que resta é uma sensação de superação do Homem, ao ver uma garota fazer os movimentos difíceis que um ballet clássico impõe, com os francesismos dos passos e um equilíbrio invejável, para não falar nas mais de 400 pessoas escondidas na escuridão. Escuridão essa que ela conhece muito bem, mas que não podemos sequer imaginar o que seria não ver o mundo com todas as suas cores.

Uma professora desafiada e desafiadora

A professora também foi muito elogiada pelos sussurros da platéia, imaginando que seria uma verdadeira magia ensinar os passos para uma pessoa que não pode ver o modelo. Sim, porque o Ballet é uma #Arte baseada no modelo, quando a professora apresenta um novo passo na frente das alunas ou quando as pessoas pesquisam na internet os passos e aparições dos grandes bailarinos. Mesmo para uma pessoa que pode ver, o ballet exige detalhes de mãos e posições de ponta de pé, que devem ser meticulosamente harmonizados dentro do compasso de uma música cuja métrica consegue ser matemática.

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Muitos 'hurras' a essas mulheres bailarinas audazes e graciosas

Esse artigo elogia, portanto, a aluna pela firmeza em aprender e se apresentar com tamanha graça e à sua professora que teve a coragem que muitas já não tiveram não só de ensinar, mas de apresentar a aluna à platéia na abertura, surpreendendo todos os presentes. Quisera o governo aumentar o incentivo às artes para pessoas assim, audazes e graciosas. E que venham outros desafios. #Video Show