O Brasil vai mal quando a cultura não se apresenta e muito menos representa os anseios da população. Adentramos ao ano político e, se tomado como referência, os municípios em torno de 100 mil habitantes, veremos que nada acontece a ponto de ganhar destaque na mídia nacional.

Os grandes veículos de comunicação não mudam o enfoque, e há muito, a palavra cultura não lugar de destaque nas manchetes de capa dos grandes títulos seja de revistas ou jornais. Quando muito, as editorias reservam uma ou duas páginas no miolo de um ou outro desses diários ou mensários.

Mas voltando a política, a grande pergunta é: qual é o perfil de um vereador ideal para içar a bandeira da Cultura em qualquer pleito eleitoral que se preze?

Numa rápida enquete, em quase todas as regiões os termos se batem.

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Na preferência do eleitorado, a escolha não traz nenhuma surpresa. Que o candidato seja um cidadão conhecedor da função que exercerá, de preferência jovem e sem vícios políticos e institucionais. “Que entenda de gestão pública e vise de forma justa defender os espaços dos artistas como um todo. Melhor distribuir os espaços, vejo muito para poucos e nada para muitos”, afirmou Igor Venal, músico.

Já Miriã Fonseca, presidente do Conselho de Cultura do Município de Itabira, entende e avalia como saudável, o exercício pleno de várias pessoas do segmento cultural ao desejarem exercer seus direitos de livre filiação partidária e candidaturas a cargos políticos. Ela, entretanto, aponta que é sempre bom frisar que o escolhido pela classe artística traga na bagagem o senso crítico da consciência coletiva convergente e canalizada para atender as demandas levantadas seja nos debates, seja em plenário ou encaminhadas aos gabinetes dos vereadores.

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Mas num aspecto o consenso é maioria quando o assunto trata da luta pela implantação das políticas públicas coerentes e concretas, inclusivas, éticas e responsáveis. Mauro Moura, ativista em favor de uma Cultura que contemple a todos, vai além do discurso em sua avaliação. Ele não abre mão da promoção do diálogo, sob perda do discurso cair no vazio. Para Moura, ouvir as demandas, se colocar como interface entre povo e governo, é fundamental para a democracia das ações. “É desafiador, exaustivo, porém necessário”, declarou Mauro Moura.

“Está passando da hora dos trabalhadores da cultura serem representados de fato, na Casa Legislativa. Só teremos vez e voz com alguém do nosso meio, escolhido por nós, sobretudo, legitimado para nos representar. Já foi provado que sem conhecimento de causa, nenhum vereador bate a passarinha para votar projetos de leis que atendam a classe artística”, concluiu Marconi Ferreira, autor do Projeto Janela da Poesia, instalado no corredor do Centro Histórico de Itabira. Região esta que concentra-se o maior acervo do Museu de Território dos Caminhos Drummondianos, maior museu aberto no mundo, que contempla as obras do poeta e escritor Carlos Drummond de Andrade.

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