Um dia estava esperando meu primeiro filho no maternal. Na porta da escola ouvi a conversa de duas mães. Elas falavam de como os filhos as incomodavam, faziam barulho, e falavam de suas profissões. Quando os portões da escola se abriram, elas pegaram seus filhos com grosseria, mostrando como mantinham "aquelas pestes" sob controle. Também vi o outro lado. Trabalhei com casas de repouso e conheci muitos idosos e o resultado do trabalho da vida deles, de suas prioridades. Conheci homens e mulheres amados e cuidados por seus filhos, mesmo estando em uma instituição. Pessoas que acompanhavam de perto as atividades de seus pais, estavam sempre presentes e cuidavam com carinho de todas as suas necessidades.

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E conheci algumas pessoas profundamente solitárias na velhice. Não por não terem filhos, mas por violência e grosseria, por abandono aos filhos enquanto poderiam ter cuidado de suas necessidades. E isso começa desde muito cedo.

Apesar de leis que tratam da violência contra crianças, isso não acabou. E em muitos dos casos os pais simplesmente não sabem como educar, estabelecer limites, o que fazer com uma criança que sempre cria problemas na escola, traz reclamações, não cumpre com seus deveres. Pais mais cultos e interessados pela #Educação e bem-estar de seus filhos, especialmente os que têm recursos financeiros, conseguem encontrar ajuda, podem procurar livros. Mas e os outros?

Temos um sistema que pune, mas não um sistema que educa. Quando se instituiu a lei da palmada, procurava-se inibir castigos abusivos e maus tratos a crianças.

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Conheço um pouco a sociedade mais carente. Acompanho o trabalho de alguns professores que recebem crianças que apanham todos os dias, muito. A quantidade de crianças que ainda passam por isso é enorme em alguns lugares. Mas, o que é feito como prevenção? Como ensinar os pais a estabelecer limites sem abuso da violência, com coerência? Existe o trabalho dos conselheiros tutelares, o trabalho de alguns professores que procuram ficar atentos às necessidades dessas crianças e que denunciam, mas algo mais precisa ser feito para melhorar isso. As tradições familiares também podem ser um fator a mais para perpetuar determinadas atitudes que afastam os pais de seus filhos.

Um dia eu estava discutindo com uma de minhas filhas. Aos 11 anos eles podem ser muito irritantes e ela, particularmente, era muito grosseira quando falava comigo. Minha reação era sempre de fazer discursos, muito brava, dizendo que ela não podia falar comigo daquele jeito. Mas naquele dia, quando ia começar o discurso, algo me veio em mente.

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Eu não tinha que me ofender com o que ela dizia. Foi o suficiente para eu compreender que ela não deveria falar com ninguém daquela forma, e que sem me ofender eu conseguiria falar com ela e ensinar um princípio importante para a vida dela em qualquer lugar. Então me acalmei, e voltei a conversar com ela sobre os problemas que a incomodavam. E com calma, pude falar a respeito de como sua linguagem naquela hora tinha sido ruim para tratar qualquer pessoa. Não acabou o mau humor da minha filha da noite para o dia, mas eu mudei. E quando minha outra filha deu os primeiros sinais da fase do mau humor, eu a repreendi com firmeza, mas com tranquilidade, e sozinha, ri muito por ter novamente uma adolescente em casa. Adorei acompanhar seu desenvolvimento em uma fase maravilhosa da vida, de muitos desafios, mas de muito progresso.

Talvez precisemos ajudar os pais a ver seus filhos como realmente são: seres inteligentes em formação, enfrentando desafios próprios de sua idade, mas reais, que precisam de ajuda para entender como agir com mudanças em seus corpos, que às vezes os levam a ser desastrados, mas com um potencial enorme para o bem, se forem ensinados de maneira adequada. #Família #Comportamento