Em 2015 foram registrados mais de 1,5 milhão de casos de Dengue, o que caracterizaria uma epidemia em outros países mais sérios. O número de casos de Chikungunya é desconhecido, pois ocorre em bairros mais pobres e a sua severidade não chega ao nível da terceira #Doença, a Zika. Já os casos de Zika são contabilizados, não pela ocorrência da doença, mas pela sua conseqüência, que são os casos de microcefalia, que já está determinada como originada pelo mesmo mosquito Aedes aegypti.

A presença do mosquito não é posterior à Copa do Mundo e muitas reportagens davam conta que os governos federal, estaduais e municipais estavam ignorando e apresentando um número significativamente menor de casos do que realmente existia, já que os testes eram demorados (mais de 15 dias) e pouco se fazia na prevenção.

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O Brasil pode entrar na lista negra de países desenvolvidos

Toda essa situação caótica servirá apenas para que a Europa, os Estado Unidos e a Ásia recomendem que seus habitantes não viajem para os países da América Latina, em particular o Brasil, em pleno ano de Olimpíadas. Já foram detectados casos em Israel, Itália, Portugal, Espanha e Estados Unidos, por enquanto. A maioria dos infectados são do sexo feminino e a preocupação recai sobre a possibilidade de expansão rápida da epidemia, a partir de viajantes ao Brasil.

A possibilidade de uso do exército e de chamamento das pessoas para vigiarem a vizinhança sobre a ocorrência de focos de proliferação do mosquito só servem para mostrar a incapacidade do #Governo de gerir dois pontos fundamentais de políticas públicas: a educação e o tratamento de águas e esgotos.

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Falta de educação e da ação de governos municipais são as causas principais

Em relação à educação, o problema é crônico. As crianças em condições de vulnerabilidade socioeconômica maior vivem em lugares onde o lixo é jogado em terrenos baldios ou públicos, o esgoto corre a céu aberto e sem controle de tratamento. O exemplo pode ser visto dentro de alguns terrenos do governo, como perto de trilhos, rodovias, terrenos abandonados e até mesmo prédios oficiais das diversas instâncias do poder.

As professoras não incorporam a higienização na prática diária das escolas e existe um grande número de escolas com mato alto. Em relação ao tratamento de água e esgoto, o problema é ainda maior, pois a grande maioria da população, principalmente a que vive em zona rural e favelas, está sujeita a espaços onde o lixo é acumulado.

Não é preciso ir muito longe para verificar que também as áreas litorâneas possuem o risco de ter criatórios de mosquito  Um grande volume de plásticos jogados ao mar ou em rios terminam parando em alguma praia, acumulando água das chuvas, já que em um país tropical como o Brasil, o índice pluviométrico é relativamente alto.

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Além disso, a ausência de neve torna a presença do mosquito um problema ao longo de todo o ano. Existe solução, mas precisa de vontade política.

Duas medidas se fazem necessárias imediatamente: (a) uma revisão imediata dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), para aumentar as atividades sobre higienização, descarte de lixo de forma adequada, como reclamar da coleta de lixo no nível municipal e requerer à justiça o cumprimento do tratamento das áreas de risco; (b) o cumprimento dos tratamentos de águas pluviais e de esgoto em zonas de vulnerabilidade em condições de emergência.

A agilidade em responder a essas duas medidas deve corroborar na solução, já que o mosquito não faz escolha do nível social de quem ele infecta. #sistema de saúde