2015: um ano de revolta social

O Ano de 2015 foi marcado por dois grandes momentos políticos: O primeiro caracterizava-se por uma aposta no término do mandato ainda em meados do primeiro semestre que levava a uma provável ascensão do PSDB, liderando um discurso neoliberal que teria condições de colocar o país no rumo certo pelo aprofundamento dos cortes nos programas sociais e nos custeios dos partidos de esquerda. O semestre passou e o movimento político parecia convergir para a necessidade de uma acomodação de outros partidos ao PSDB, o PMDB, por exemplo, para conseguir o impedimento. Nas ruas havia menos de 1% da população contra a Presidente, indicando que o comportamento da mídia, assim como o dos políticos, não era o desejo da maioria.

O segundo momento ficou marcado inicialmente pela ineficiência dos partidos em conseguir o impedimento, parte pelos escândalos que abalaram alguns elementos da base governamental (senador sendo preso no exercício do mandato gerando insegurança em todos os partidos), parte pela incoerência da argumentação retórica sem respostas para os novos problemas de crise.

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A crise fiscal era outro componente que começava a despontar forte, pois sem medidas muito duras, parecia que o país ia quebrar e não era uma mudança de #Governo que salvaria o “Titanic Brasil”. Com o passar do tempo, ficava mais evidente que os atores do governo precisavam ser mudados em todos os níveis, particularmente no planejamento e economia, cujos discursos eram destoantes.

Mídia surpreendida com escândalos

A mídia também percebeu que boa parte das previsões não se realizou e, mesmo com a situação delicada do país, parecia que quanto mais o tempo passava, mais a oposição ruía com novos escândalos, dessa vez contra o presidente da Câmara de Deputados, Eduardo Cunha, o Vice-Presidente, Michel Temer, e o presidente do Senado, Renan Calheiros, sem falar no aumento de prisões que a operação “Lava-Jato” levou à expansão do chaos nacional.

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Tais fatos geraram uma situação de calmaria antes da tempestade, muita corrida para produzir fatos políticos, enquanto a economia afundava ajudando os apostadores da alta dos juros e do dólar.

O que virá agora? A mídia vai investigar?

O ano acabou para alivio de todos! A presidente conseguiu se sustentar no primeiro e pior dos seus anos de mandato, mesmo com as estatísticas indicando uma rejeição recorde, abaixo de 15%. A mudança de ministros reorganizou a estratégia do jogo político e as denuncias ficaram vazias frente aos novos fatos de escândalos envolvendo políticos e agentes econômicos, como a ponta de um iceberg. É quase impossível prever o fim de 2016, pois o ano inicia com aumento nas tarifas recuperando a inflação passada e ao mesmo tempo indexando novamente a economia. O desemprego apenas começou e, com ele, um grande movimento político social se esboça, mas novamente contra os aumentos, contra uma elite e contra uma mídia que não divulga o que realmente está acontecendo. Aparentemente, ao escolher o lado errado para fazer as apostas de 2015, a mídia deixou de investigar onde estavam os 99% que não foram às passeatas.

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#Dilma Rousseff #Crise no Brasil