Uma das discussões mais acaloradas neste ano que se inicia é uma campanha de boicote à cerimônia de entrega do Oscar. Esta campanha está sendo capitaneada pelo cineasta Spike Lee ("Malcom X", "Faça a coisa certa") e já tem a adesão da atriz Jada Pinkett Smith ("Matrix", "Gotham"), de seu marido Will Smith ("À procura da felicidade", "Independence Day") e do rapper Snoop Dogg, entre outros. 

O motivo da celeuma: pelo segundo ano consecutivo, os 20 indicados nas categorias para atores e atrizes são brancos. 40 atores brancos em 2 anos. 

Não cabe aqui discutir a legitimidade desta campanha de boicote - pois em dois anos e 40 oportunidades, não há como pensar na inexistência de um(a) ator(a) negro que possa merecer um Oscar.

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O que gostaria de pontuar é uma acirrada e sanguínea discussão que se deu no Facebook: um meme, baseado numa foto semelhante à que ilustra este artigo, pede cotas para brancos na corrida de 100 metros rasos. Justificativa: de um modo geral, raramente vemos um branco ou oriental nas corridas do atletismo.

Na esteira deste, logo surgiram outros (pedindo cotas para brancos no basquete, maratona, etc.), alguns bem engraçados, outros nem tanto.

A pergunta a fazer é: estas cotas realmente são necessárias? Não estamos a confundir alhos com bugalhos?

Senão, vejamos: a escolha dos indicados ao Oscar é feita, anualmente, pelos associados da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood. E como ser membro desta associação? Aí já temos um funil "branco": primeiro, todos os indicados ao Oscar num ano são convidados a participar da Academia e votar no ano seguinte.

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Segundo, pode entrar para a Academia quem possui um bom portfolio de trabalhos e, no mínimo, a indicação de 2 membros. Aí que reside o problema: como a participação de atores ou diretores negros no cinema americano sempre foi pífia, como esperar uma melhor representatividade entre os votantes da Academia? Segundo a Wikipedia, um levantamento publicado pelo jornal "Los Angeles Times" aponta que a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood tem mais de 6 mil membros - 94% brancos, 77% homens e 86% com mais de 50 anos.

Ou seja, o que esperar de uma votação subjetiva, feita por uma maioria branca, masculina e (penso) conservadora?

Já no atletismo (especificamente na prova de 100 metros rasos, alvo dos principais memes aqui tratados), a conversa é outra: quem está ali conquistou sua vaga através de uma disputa acirradíssima, obtendo um índice de alta performance que depende, exclusivamente, do atleta. Ninguém vota e ninguém é votado para participar de uma final de 100 metros rasos.

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E, se não há brancos nesta foto (no caso, a final dos 100m nos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012) é porque, simplesmente, nenhum teve competência suficiente para se classificar à final.

Diferenças anatômicas entre caucasóides, asiáticos e negros explicam a predominância de um e outro grupo nos diversos esportes. Um estudo da Universidade de Howard mostrou que há uma diferença no tamanho de braços e pernas, entre estes grupos. O centro de gravidade dos negros é mais alto (por terem membros mais longos, porém com menor circunferência),  quando comparado a um caucasiano ou asiático da mesma altura. Isto lhes confere maior estabilidade. Assim, não interessa se o atleta é americano, brasileiro, africano, canadense ou alemão: se for afrodescendente, são grandes as chances de ser mais rápido do que seus concorrentes. É por isso que, dos últimos 38 recordistas mundiais dos 100m rasos, 28 são negros. E desde 1968, todos os recordes desta prova foram quebrados por negros. 

O mesmo raciocínio vale para o tórax mais largo dos caucasianos - o que dá uma vantagem extra nos esportes aquáticos, por exemplo.

Assim, vamos deixar o esporte como está - bem representado e com uma boa diversidade genética, cultural e social.E o Oscar? Bem, vamos torcer para uma renovação na Academia para que ela passe a reconhecer mais os excelentes "corredores" que temos por aí. #Opinião #Comportamento