No próximo dia 27 de fevereiro olhos de amantes cinéfilos certamente se voltarão ao grande prêmio Oscar de 2016, um dos eventos mais majestosos dos últimos anos conhecido por sempre configurar as maiores estrelas hollywoodianas e cineastas consagrados. O detalhe em especial da premiação deste ano se dá em torno da polêmica pauta racial que pode vir a ofuscar o brilho das premiações.

Com a internet proliferada com hashtags #OscarSoWhite (Oscar tão branco), o discurso contra o racismo ganha grande peso sendo endossado por figuras consagradas como Spyke lee, Will Smith, George Clooney e Chery Boone  que enxergam uma grande fenda da academia ao indicar seus astros.

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Mas será que esta fenda existe mesmo?

Os Estados Unidos, talvez um dos melhores modelos de democracia do mundo, segundo os últimos números da United States Census Bureau, tem como população 69% de pessoas brancas,13,2% Afro-americanos, 1,2% Nativos, 5% asiáticos. Tendo em vista que das 3.072 estatuetas de 147 indicações, 30 dessas estatuetas foram destinadas a negros, 17% a Latino/hispânicos e 4% asiáticos. Talvez devêssemos nos atentar ao déficit da academia com as outras minorias.

 

QUEBRANDO TABUS

Em 1940, Hattie McDaniel faria história sendo a primeira mulher afro-americana a ganhar uma estatueta como atriz coadjuvante, no emblemático filme “E o vento levou”. Na ocasião, os Estados Unidos atravessavam uma grande crise de segregação racial, o que não impediu que o mérito de Hattie fosse ofuscado pelo preconceito vigente da época.

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Em 1963, ainda sobre a sombra da segregação racial, foi a vez de Sidney Poitier, estrelando em “Uma voz nas Sombras”, quebrou clichês e foi o primeiro homem negro a conseguir uma estatueta do Oscar. No mesmo ano Martin L. King fazia o brilhante discurso “I Have a dream”.

Podemos questionar alegando que a academia diversas vezes foi injusta aos seus indicados. Um exemplo crasso cabe ao queridinho da America, Leonardo Di Caprio. Mas afirmar que a academia é racista, muitos entendem como exagero da parte dos críticos.

Talvez o momento clame por cautela, a desinformação pode nos levar a resumir fatos a um falso Racismo, silenciando debates sadios com viés acusatórios de falsa simetria.

Alguns teóricos entendem a polêmica como mera política partidária já que estamos em plenas corridas presidências americanas, onde os nervos Democratas X Republicanos estão a flor da pele, criando assim uma divisão de classes premeditada.

No ano de 2015, o Oscar nos apresentou uma boa representatividade de negros em diversos aspectos: “Selma ", Jonh Legend com a canção “Glory” são alguns exemplos de ganhadores da estatueta aquele ano.

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Já em 2016 visivelmente este contexto muda e muitos tem questionado a ausência de nomes como Idras Elba, Samuel A. Jackson, Michel B. Jordan e outros.

O que nos remete a uma reflexão: a academia tem de fato boicotado os negros? Será que este pensamento não desmerece os atuais indicados? Ou talvez sofremos apenas do complexo de pensar que "somos obrigados a ter uma opinião sobre tudo"? #Cinema