A internet se consolidou nas últimas décadas e é hoje uma ferramenta fundamental na globalização sendo mais democrática que outros meios de comunicação mais tradicionais como a TV e o rádio. Se valendo dessa facilidade no acesso às informações, a luta em prol da igualdade de gêneros ganhou extensa visibilidade.

Sociedades onde antes as mulheres não tinham direito nem a indagar o porquê de tanta desigualdade, podem agora expor suas situações e conhecer as de mulheres de outros lugares. Esse fato permite as mesmas pensar se realmente a forma como eram vistas pela sua sociedade era certa como sempre lhes foi ensinado, de forma cultural, ou se existia alguma coisa errada com a maneira como eram vistas e tratadas pelos indivíduos de seu grupo social.

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O resultado foi sempre alarmante: ao trocar experiências as mulheres percebiam que não eram vistas de forma igualitária e isso as impulsionava a contar ao mundo suas insatisfações diante do fato. Dessa forma, milhares de sites, blogs, páginas e perfis em redes sociais, etc. foram sendo criados, dando cada vez mais visibilidade a causa.

Um dos movimentos que ganhou grande repercussão graças aos meios de comunicação e que foi amplamente propagado nas redes sociais foi a SlutWalk, que aqui no Brasil ganhou o nome de Marcha das Vadias. A SlutWalk foi criada em abril de 2011 em Toronto, no Canadá, em resposta a uma afirmação de um policial que sugeriu que para que as alunas de uma universidade local evitassem os estupros, as mesmas deveriam parar de se vestir como “sluts” (vadias em português).

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Cerca de 3 mil canadenses foram às ruas protestar contra qualquer tipo de violência contra a mulher. Mais de 30 países realizaram manifestações semelhantes, dentre eles o Brasil, tendo realizado o Movimento Marcha das Vadias em diversos estados.

Um caso que ganhou ampla repercussão foi o discurso feminista feito pela atriz Ema Watson na ONU no dia 24 de setembro de 2014. Em um trecho de seu discurso, ela comenta:

“Eu comecei a questionar estereótipos de gênero quando eu tinha oito anos de idade e ficava confusa quando me chamavam de bossy [mandona]”, porque eu queria dirigir peças que montávamos para os nossos pais – mas os meninos não eram chamados disso. Quando eu tinha 14 anos comecei a ser sexualizada por certos elementos da imprensa. Quando eu tinha 15, as minhas amigas largaram times esportivos porque elas não queriam parecer ‘musculosas’. Quando eu tinha 18, meus amigos homens não conseguiam expressar os sentimentos deles. Eu decidi que era feminista e isso não me parecia complicado.

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Mas a minha recente pesquisa me mostrou que ‘feminismo’ se tornou uma palavra impopular.” (WATSON, 2014.) 

A atriz, que foi nomeada embaixadora da Boa Vontade da Entidade das Nações Unidas para a Igualdade de Gênero e o Empoderamento das Mulheres (#ONU [1]Mulheres) lançou o programa “HeForShe”, campanha humanitária que objetiva erradicar a desigualdade de gêneros. Após seu discurso na ONU, Ema Watson sofreu ameaças de Hacker que prometeram divulgar fotos íntimas da mesma em um site, provando dessa forma o impacto que a desigualdade de gêneros tem sobre as vítimas, apresentando-se na maioria das vezes de forma intimidadora na tentativa de coagir e desmoralizar. No entanto, tal ameaça não intimidou a atriz que prosseguiu com o programa “HeForShe” e foi aclamada nos meios de comunicação, especialmente nas redes sociais, por seu discurso emocionante e motivador.

Mesmo que sejam séculos de opressão e negação de direitos, que com certeza não serão revogados do dia para a noite, é preciso que mais pessoas profiram discursos e ações como essa para que se possa debater a respeito e com isso conseguir mudar, ainda que lentamente, uma cultura tão enraizada em muitas sociedades. #Famosos