As mídias sociais, ao mesmo tempo que mudaram a forma como nos comunicamos, trouxeram à tona alguns pontos que antes passavam despercebidos. Estas mídias traduzem com exatidão a velocidade do mundo de hoje. Expõem nossas vidas. Banalizam nossas emoções, sentimentos e memórias na velocidade do pensamento. Estamos anestesiados, num torpor permanente causado pela tecnologia. E pulamos de anestesia para anestesia.

Todos que hoje estão na faixa dos 40 anos ou mais lembram que, na infância, os verões eram mais longos. As férias escolares, maiores. E, mesmo que (comparando com hoje) não fossem, a impressão que tínhamos era que a vida passava mais lentamente.

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Os nossos marcadores eram outros: a viagem para a casa da vovó, a ida à praia, para rever os amigos de veraneio (sempre os mesmos), a volta às aulas.

Hoje, parece que a marcação do tempo e o registro de nossa caminhada se dá de forma diferente. Os referenciais mudaram completamente e a cobrança que a mídia social faz sobre aqueles que não estão atualizados é implacável. 

"Antigamente" (coisa de 15 anos atrás), alguém famoso morria e só tomávamos conhecimento do fato quando líamos o jornal do dia - muitas vezes à noite, ao chegar do trabalho. A novela, para os que gostavam de assistir, era comentada à mesa, durante o jantar - quando ainda jantávamos juntos e sem um smartphone apitando.

Hoje em dia a juventude, nas férias, acorda com o despertador do smartphone - lá pelo meio-dia, porque a balada noturna no Whatsapp, somada às séries assistidas no Netflix, foi madrugada a dentro.

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Em seguida checam o Snapchat, o Instagram, o Twitter e Facebook (este último, apenas os "velhos" usam com maior frequência). Um lanche rápido (olhos na tela e ouvido no fone), vão para a piscina. Tomam sol tuitando. Entram na piscina para postar uns Snaps. Sabem que é fevereiro porque o Big Brother está no ar. À noite, durante o jantar, cada um no seu canto, o prato equilibrado no colo e as mãos se dividindo entre os talheres e o telefone. Assistem TV mais para comentar os programas no Facebook e no Whatsapp do que assistir o programa em si.

E nós, os "velhos"? Não estamos longe. Morre um famoso e se não comentamos nos 20 minutos seguintes, perguntam se estamos sem luz (ou sem bateria). Xingamos o BBB mandando as pessoas lerem mais, xingamos o Natal porque mal passou o Dia das Crianças, xingamos a Páscoa porque mal passou o Natal. Tuitamos pra cá, mandamos Snaps pra lá, postamos tudo - absolutamente tudo - no Facebook. E fazemos isto com abrangência planetária. Mal passou o efeito de uma anestesia, já entramos em outra.

"Para que ninguém possa comprar ou vender, senão aquele que tiver o sinal, ou o nome da besta, ou o número do seu nome."  É o que diz São João no verso 17, capítulo 13, do Apocalipse. Não sei se o caminho será este. Se for, com certeza a Besta precisará de um bom gestor de mídias sociais. #Comunicação #Carnaval #Comportamento