Bell Marques, ex-Chiclete com Banana, aposta neste #Carnaval no hit "Minha Deusa". O que pouca gente sabe é que, em dezembro,  Bell assinou, junto ao Ministério Público de da Bahia (MP-BA), um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), mudando não só o título original da #Música como também a letra.

A música, originalmente denominada "Cabelo de Chapinha", trazia os versos "Minha nega, vai lá no salão / faz aquele corte que seu nego gosta de te ver / me traz seu coração, porque essa noite só vai dar eu e você / com esse amor ninguém pode /só água na cabeça pra apagar o fogo". Virou "Minha Deusa", onde Bell canta "Com esse amor ninguém pode / só água na cabeça pra apagar o fogo / cabelo crespo, cabelo liso, cabelo black, cabelo loiro /minha Deusa, dia de salão / lindo é seu jeito, todo mundo gosta de te ver".

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A música original foi considerada "machista e racista" por fãs e organizações sociais. Além deste termo e de ter pedido desculpas nas suas redes sociais, Bell ainda será obrigado a participar de campanha anti-machismo e racismo durante o Carnaval de Salvador. 

A antropóloga Naira Gomes, do Movimento Empoderamento Crespo, diz que "A música atinge duplamente a mulher, em especial a mulher negra. Fala de um homem que espera adequação da imagem da sua parceira ao gosto dele. E tem abordagem racista, quando ratifica as opressões que os corpos negros vêm sofrendo. É a imposição de um padrão estético que não nos contempla”.

Agora uma reflexão. Não é necessário uma pesquisa nos salões para verificarmos que uma grande parcela de mulheres - negras, brancas, ruivas - fazem chapinha pelo simples fato de quererem seus cabelos lisos.

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E, para uma grande maioria, não há um "meu nego" - ou meu branco, meu ruivo - pedindo para que elas o façam. É simplesmente um gosto, um desejo feminino, um descontentamento pessoal. Isto acontece em todas as classes, etnias, credos: a mulher de cabelo crespo quer ter cabelo liso, a mulher de cabelo liso quer ser crespa.

Tenho certeza que o objetivo de Bell sempre foi (no Chiclete com Banana e agora, em carreira solo) divertir seu público. Só isso. Mas, pelo visto, a Patrulha da Problematização também o atingiu. Todo movimento de afirmação, de diversidade, de combate ao racismo e demais preconceitos tem seu total e completo fundamento e quer ter, na sociedade, total apoio. Mas às vezes - e, talvez, apenas às vezes - exageros aconteçam?

A continuar assim, as próximas letras a mudar serão Preta Pretinha (Novos Baianos) e Fricote (Luiz Caldas). #Mídia