Blocos de rua com grande número de pessoas e trios elétricos são características nordestinas, onde o número de pessoas mais pobres e de turistas estrangeiros que não sabem sambar é maior. Nas cidades do Rio de Janeiro e de São Paulo sempre foram mais habituais as Escolas de Samba, com grupos tradicionais em alguns bairros, ainda mantendo uma tradição que morria aos poucos. Já Brasília era conhecida por não ter muita atividade, pois os políticos se deram um feriado de 11 dias. Esse ano, tudo mudou: a falta de dinheiro, o desemprego e o cansaço de uma política desastrosa levaram as pessoas a desabafar, pulando #Carnaval em suas próprias cidades, ou mudando para outras ainda menores.

Publicidade
Publicidade

Crise aumenta número de blocos e de lugares com blocos

Não fica nada barato se divertir no carnaval, mas esse ano foi especial devido à crise gigantesca que o país vive e levou muitas pessoas a não viajarem. A fórmula nordestina de blocos com fanfarras, pequenos trios elétricos ou grupos de afroxé apareceu muito mais nos canais de televisão, mostrando uma grande adaptação do povo à nova realidade: improviso de fantasias, com mais adereços e menos abadás; adaptações de bandas com DJs de música eletrônica bombando; trio elétrico pelas ruas de Brasília (o Galinho), bem como em outras capitais e cidades do interior. Houve o registro de muitos blocos novos e movimentações em mais lugares, mostrando uma capilarização da diversão e da economia.

Comércio informal de água e cerveja bomba nas ruas

Outro aspecto do carnaval de rua é o comercio informal, que chega a render mais de um salário mínimo a cada vendedor, na venda de garrafas de água e latas de cerveja e refrigerante.

Publicidade

Em tempos de falta de emprego, com os termômetros beirando acima de 35 graus Celsius, muitos pais de família estão recuperando a renda perdida recentemente, seja pela venda, seja por não viajar e comprar coisas locais, presente em todas as reportagens ao vivo. Em alguns lugares, a falta de controle por falta de fiscalização eficiente das prefeituras leva alguns dos vendedores credenciados a uma concorrência desleal com os não-credenciados. Em Salvador houve disputa contrária, onde a prefeitura teve problemas no desfile de trios na segunda-feira, devido à manifestação dos ambulantes que perderam a carga que iam vender, porque não podem vender outra marca que não seja Schin.

Criatividade nas fantasias barateia produção e aumenta a diversão

A quantidade de adereços caseiros também está visível nas reportagens, seja pela confecção de pequenos adereços artesanais como tiaras de flores, borboletas e de mulher maravilha em E.V.A., seja pelo improviso de camisetas com escritos que fazem paródias de trechos de música ("99% não e 1% também não").

Publicidade

As lojas que vendem adereços também registraram um grande volume de vendas, apesar de o valor unitário ter caído bastante em relação ao ano anterior (quem gastava R$60, esse ano gastou R$30), indicando que as escolhas foram mais simples, em particular a novidade dos cílios postiços coloridos.

Quarta de cinzas já mostra sinais de piora econômica

Como diz a música, “não me levem a mal, hoje é carnaval”, mas amanhã os problemas já voltam: barril de petróleo caiu de novo, bolsas asiáticas despencaram mais de 5% e, para completar, só falta ter mais um escândalo de corrupção iguais aos que antecederam o carnaval, indicando que o ano de 2016 realmente será do macaco (em referência ao signo do zodíaco chinês que iniciou o ano agora). Isso sem falar na Zika... beijou muito? #Inovação #Dilma Rousseff