Lamentavelmente muitas pessoas só se fixam no aspecto, que não é o principal, que a prática da dança do ventre ou belly dance pelas mulheres, fazem com que elas se tornem muito mais sensuais e que os homens ficam vidrados nisso.  Desde tenra infância, as mulheres são condicionadas a competir uma com outras mulheres ou a se comparar constantemente entre si.

Entretanto, as mulheres que praticam e se entregam verdadeiramente a essa arte milenar, são mulheres de “verdade” com corpos diferentes e medidas físicas diferentes, usando top e legging, só querendo ser felizes. Cada uma traz as suas próprias vivências e experiências de vida, mas antes de tudo, querem ser felizes e buscam uma tratativa mais afável e carinhosa com elas mesmas.

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No Brasil, a dança do ventre é percebida por um grande número de incautos como só mais uma dança sensual; entretanto, é algo muito além disso. A dança em si é um verdadeiro tributo a vida, mesmo que praticada em função da uma lembrança triste, do mergulho em si próprio para reflexão ou somente como uma celebração as tradições de povos como os gregos e árabes. 

Por outro lado, no mundo ocidental há o conceito errôneo estabelecido, que transforma a dança e as suas dançarinas somente como um objeto corporal a ser cobiçado, tocado, erotizado. O quadril feminino assume ao papel de que serve ao prazer masculino, uma vez que na cultura burguesa do Ocidente, o quadril só serve para aspectos sensuais. 

Luce Irigaray que é uma filósofa da Bélgica, foi muito feliz na definição da sexualidade feminina, a qual é percebida do ponto de vista sempre masculino, isto é, toda a expressividade e riqueza da Dança do Ventre são diminuídas à expressão: “os homens adoram, né?”, reitera Luce no seu livro The sex which is not on – O sexo que não é um (1985).

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A dança do ventre faz com que as pessoas reflitam sobre suas reais relações com os outros, é um exercício constante de uma cultura que para o ocidente é desconhecida, produzindo o preconceito do Ocidente sobre o que é diferente ou originado do Oriente.

O estudioso sobre orientalismo, Edward Said, afirma que o Oriente “é a domesticação do exótico” e que isso é um perigo, pois pode significar uma forma de querer entender o que é diferente da cultura do Ocidente, alimentando preconceitos. A mulher com a sua dança “exótica” é tida como a dançarina que nasceu para agradar aos homens ou somente para sensualizar. 

Sexualidade não foi feita para subjugar o outro, ou que uma das partes seja um objeto simples. A dançarina de dança do ventre não é uma odalisca e nada mais; todavia, a dança leva à mulher a conhecer o seu corpo de fato, o que lhe confere poder. Afinal de contas o ganho da consciência corporal; valorização do próprio corpo independente do seu biótipo; o aparecimento da amizade feminina e a melhoria na comunicação são fatores os quais a Dança do Ventre só faz agregar as mulheres e as pessoas que as rodeiam. #Curiosidades #Tendências #Comportamento