A notícia de que a boneca Barbie ganhou novas formas físicas, cores de pele, de olhos e de cabelos, tomou conta das redes sociais nos últimos dias. Muita gente comemorou a iniciativa não apenas pelo maior leque de opções para as crianças, mas também pela luta constante da sociedade pela aceitação por diversidade e quebra dos padrões de #Beleza que, por acaso (ou não), a Barbie se encaixa perfeitamente: loira, olhos claros, magra e alta.

O fato é que a Barbie, já um a senhora de 57 anos, nadava contra a maré de bonecas lançados nos últimos tempos. Ela já não reinava absoluta no gosto das meninas. Entre Pollys, Monster Highs, Princesas da Disney e uma infinidade de opções (inclusive as tecnológicas), a Barbie precisou se “reinventar”, ou melhor, voltar-se para o mundo real.

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Um mundo onde os cabelos loiros e olhos claros não são um gene dominante. Um mundo onde as meninas são pressionadas a seguirem padrões de beleza e #Comportamento que geram mulheres frustradas e inseguras.

A questão é que o ideal de beleza proposta pela Barbie durante estes mais de 50 anos criou nas mentes infantis a ideia de que só as loiras e magras podiam ser representadas, ou seja, só elas eram dignas de se tornarem bonecas. Aos olhos adultos isso pode parecer bobagem hoje, mas subliminarmente, essa ideia, aliada a anos de valorização da beleza caucasiana, construiu uma geração de meninas brasileiras inferiorizadas. Há apenas quantos anos vemos bonecas negras nas prateleiras (uma minoria, diga-se de passagem)? Tudo isso ainda é novidade no mercado.

Recentemente a imagem de um menino negro com um boneco do personagem Finn do Star Wars - também negro, causou comoção e, a felicidade do garoto, revelada pela mãe, deixou todos comovidos.

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Quem não gosta de ver uma criança feliz? Mais do que isso, sabemos que um simples boneco pode tornar as gerações futuras mais conscientes de suas diferenças.

Apesar disso, não se pode ser inocente e achar apenas que as marcas se voltam ao consumidor porque evoluíram espiritualmente e querem mudar o mundo. Há um interesse de agradar e vender - é assim que elas sobrevivem. Antes das novas Barbies Mattel já tinha assumido que a boneca ia mal das pernas e as vendas tinham caído 20% de 2012 a 2014. Ou seja, foi preciso afetar o bolso para que a Barbie descesse do salto e buscasse alternativas.

A publicidade não deixa dúvidas: buscaram referências de mulheres reais para modificar a Barbie e torná-la mais próxima das consumidoras. Mas nós sabemos que  essa conclusão veio após muita pesquisa, investimento, discussão e convencimento. Ponto pra Mattel que alterou suas estratégias ouvindo o consumidor. Soa bastante óbvio, mas assumir que o cidadão comum pode contribuir para melhorar um molde que deu certo por anos não é bem visto por qualquer gestor.

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Nestas horas que se separam as lovemarks, conceito criado por Kevin Roberts, CEO mundial da Saatchi & Saatchi, das que insistem em seu manter no mesmo formato de sempre por orgulho ou ignorância.

As marcas têm se atentado para essa realidade: o consumidor mudou. Ou talvez ele tenha caído na real sobre o poder que tem. A internet tem uma parte de culpa porque deu a ele a chance de se manifestar, dizer o que pensava, tratar cara a cara com a marca, opinar em seus lançamentos.

É claro que por trás de tudo isso há uma indústria do consumo, como bem explanado em artigo da Eliane Brum, no El País, mas isso é assunto pra outra discussão. Vamos nos ater à conquista do marketing e à quebra de paradigmas proposto pelas novas Barbies. Antes tarde do que nunca. #Mídia