Mais interessante que analisar o interesse das pessoas pelo Big Brother Brasil é analisar o ódio que o programa desperta em alguns. Porque será que o BBB desperta tanta paixão em seus inimigos?!  A TV aberta no Brasil apresenta vários programas ruins, vazios, nada culturais. Então porque apenas o BBB recebe tantas críticas?

É muito difícil ver pessoas lindas, atraentes e alegres tomando sol e banho de piscina, descansando, malhando, brincando e curtindo festas numa casa luxuosa, enquanto se trabalha muito, se estressa e se desgasta. É muito difícil ver pessoas que não prestam nenhum serviço relevante se tornarem famosas, enquanto se permanece no anonimato.

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É muito difícil ver pessoas ganhando prêmios e grandes quantias em dinheiro, enquanto se ganha pouco. É muito difícil ver pessoas se divertindo embaixo do edredon enquanto muitas vezes falta parceiros para tal, mesmo se estando casado. É muito difícil ver desconhecidos se tornarem amados e desejados, enquanto se passa despercebido e às vezes ignorado por aqueles com quem convive, até mesmo da família.

Mas aprendemos que devemos carregar a nossa cruz, que nada é por acaso, que Deus sabe o que faz, e que devemos nos contentar com pouco, pois a verdadeira vida é a espiritual, afinal estamos aqui de passagem. E assim as pessoas passam, negando seus desejos reprimidos e invejando aqueles que os realizam. Vivemos divididos entre a crença numa razão superior para as coisas serem como são e o desejo de transformarmos a realidade, entre a aceitação e a busca da realização de nossos sonhos, entre a espera da felicidade na vida futura e sua conquista no presente.

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A cultura católica X a cultura protestante

Os brasileiros são muito mal resolvidos com relação à vaidade e ao dinheiro, o que resulta em diversos preconceitos e pudores. Por um lado, nossa cultura latina, greco-cristã, católica, muito influenciada pelo ascetismo e idealismo platônicos, historicamente nos oferece a simplicidade e a pobreza como modelos a serem seguidos, juntamente com o sofrimento, o sacrifício, a resignação e a esperança da felicidade na vida futura. Entretanto, por outro lado, os valores pragmatistas do capitalismo, desenvolvidos e difundidos especialmente pelos EUA, país de cultura protestante / germânica, pregam o oposto: a realização, o bem-estar, o prazer, o sucesso e a conquista da felicidade nesta vida. Aí estão as raízes do conflito, que infelizmente, não emergiu do nível inconsciente, mas se manifesta no #Comportamento das pessoas.

Razão X Emoção

Os brasileiros precisam ser menos passionais e mais racionais. É muito fácil se deixar levar por argumentos superficiais e pseudo-intelectuais criados por terceiros e que aparentemente justificam os próprios sentimentos.

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Racionalizar as emoções negativas e identificar suas verdadeiras causas seriam atitudes de um Homo sapiens de fato. Infelizmente, psicólogos, filósofos e pensadores, que poderiam analisar este grande experimento de comportamento humano e ajudar a trazer luz às sombras (conceito Junguiano) do ser humano, muitas vezes acabam por difundir e reforçar preconceitos culturais, como a aversão ao BBB, já que eles mesmos não resolveram e às vezes nem reconheceram seus conflitos internos.

Enfim, o BBB é o perfeito bode expiatório para o conflito íntimo gerado por toda esta repressão, contradição e negação, até porque criticar o programa pode soar cult, coisa de intelectual. Mas esta aversão ao programa por parte de alguns, cheia de paixão, mostra o quanto as pessoas estão insatisfeitas com as próprias vidas e realidades. Mas em vez de o Homo sapiens manifestar sua sapiência e analisar sua vida e o mundo, buscar a origem de problemas e sentimentos e pensar em possíveis soluções, é mais fácil sacrificar o bode da vez em vez de olhar para si. É mais fácil "seguir a natureza" e as forças sócio-culturais que moldaram nossos comportamentos e opiniões em vez de questionar. Questionar o questionamento então, que seria o caso, nem passa pela cabeça. #Religião #BBB Big Brother Brasil