Obviamente, "consensualmente" e "consensual" estão entre aspas porque uma criança de 11 anos não pode consentir. Segundo o Código Penal, o #Crime cometido pelo homem é de estupro de vulnerável.

Apesar da gravidade do ocorrido, o portal G1 conseguiu causar indignação nas redes sociais por outro motivo: o de veicular a notícia, inicialmente, sem reconhecer o estupro, amenizando o ato criminoso. Após reclamações, a página mudou o título da chamada, que anteriormente era: “Sexo entre menina e padastro ocorria com mãe em casa, diz polícia em MS”.

Ademais, o jornalista identificou os acontecimentos como "encontros amorosos" logo no início do texto, como se houvesse um relacionamento entre a menina, de 11 anos, e o homem, de 40. 

O problema de se escolher essas amenidades para tratar do estupro de uma garota é que se percebe como o jornalista (e o veículo de seu texto) encaram a situação.

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Como formadora de opinião, a página reflete uma cultura permissiva em relação ao estupro de vulneráveis. 

Ao prestar depoimento, o padrasto confirmou que abusava da garota "há muito tempo" e, segundo o delegado, a menina, grávida de 7 meses, disse ter "consentido" e, ainda, que gostava do padrasto e queria morar com ele.

O indivíduo agia de madrugada, indo ao quarto da enteada antes de sair para trabalhar. A mãe, que se encontrava em casa nos momentos em que tudo acontecia disse não ter tomado conhecimento, só se dando conta de que havia algo de errado ao notar uma mudança no comportamento da filha, provavelmente em função da gravidez. O caso se deu em uma fazenda próxima à cidade de Rio Negro, no Mato Grosso do Sul.

No Facebook, Andréa Pachá explica com clareza a gravidade de o site da Globo ter amenizado o caso.

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Não faz muito tempo, o casamento entre garotas muito novas e homens bem mais velhos era permitido no Brasil. Muitos de nós temos avós e até mães que se casaram e engravidaram com 12, 13 anos de idade e isso diz muito sobre a mentalidade que parece se estender até os dias de hoje, de que mulheres "amadurecem" mais cedo que homens - como se fosse responsabilidade delas lidar inclusive com os instintos e imaturidades deles. 

A fala da garota, ao confirmar que gosta do padrasto, é outro fator preocupante, pois demonstra justamente o motivo de crianças não serem capazes de consentir. Esse indivíduo foi capaz de convencer a enteada de que estava agindo por "amor" e de que ambos mantinham um relacionamento; ele não tirou proveito apenas de sua vulnerabilidade física, mas também de sua suscetibilidade infantil diante de um adulto em quem ela confiava. #Casos de polícia