Com a aproximação das campanhas eleitorais para prefeitos e vereadores, nesse ano, há um discurso recorrente assim como reflexões sobre a meritocracia.

Entende-se por meritocracia a gestão baseada no mérito, ou seja, é o modelo onde se retrata a conquista de posições hierárquicas através dos seus esforços, do seu merecimento, das habilidades pessoais assim como da capacidade de lidar com conflitos de forma assertiva.

 Pautada nisso, as organizações que buscam esse modelo meritocrático , enfatizam os talentos pessoais e, sobretudo, as habilidades emocionais e comportamentais em busca das metas traçadas e do objetivo a ser alcançado.

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Caso contrário tudo se transforma em balela, lambança, dito sem fundamento, o clássico ditado popular: “ o encher linguiça’’. 

Para que tudo seja realizado de uma maneira ‘’não viciante’’ e não condicionada, a exemplo de um chefe que exige meros horários, sem, contudo, não atentar para compromissos que respeitem a agenda. Ser chefe, no sentido da meritocracia não é como um músico que improvisa, tocando de ouvido, sendo necessário ter planejamento uma vez que aquilo que não está na agenda não cabe na vida profissional e, também, pessoal. 

Além disso, para que se alcance o mérito é necessário que se lance mão do método e, claro, importante é que se excluam as relações de  nepotismo, clientelismo e tudo aquilo que não estejam associadas ao mérito. A questão do mérito está, intrinsecamente, ligada ao fato de a pessoa ser merecedora, ser digna através de seu próprio esforço e capacidade de resolução de problemas sem colocar os interesses individuais e ter uma ótima capacidade de empatia com a equipe.

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 Max Weber define que o patrimonialismo e o clientelismo são os grandes vilões da administração do Estado, pois alguns governantes, ainda em práticas primitivas, fazem da máquina pública uma grande vaca leiteira com uma teta para cada boca, utilizando o público como privado no afã de prestar serviços e troca de favores com alguns indivíduos exclusivos em detrimento da população. 

De outro lado, ao mencionar gestores meritocráticos, por assim dizer, implica em não somente valorar a questão financeira, e sim a valorização do esforço e do trabalho realizado em equipe em prol de metas a serem traçadas, visando  um objetivo nessa ou naquela administração para que os resultados de equipes permaneçam visíveis. 

Dito de outra maneira: a questão financeira fica em segundo plano se há um ambiente agradável e de acordo com a expressão do psicanalista Donald W. Winnicott: um “ambiente suficientemente bom" seria, então, de grande primazia para que o espaço para a criatividade fosse dado. Com isso, haveria uma carreira sustentável e permeada de propostas resolutivas em contraponto a um ambiente autoritário. 

Assim, a preocupação ou a despreocupação com a meritocracia deu lugar a um outro preocupar-se: os bens exteriores e o poder vazio e sem sentido com relações meramente descartáveis e desrespeitosas.

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Para Max Weber, isso se tornou uma “gaiola de aço”, devido à supremacia da burocratização que aprisiona toda a sociedade: ”Especialistas sem coração: este nada imagina ter alcançado um grau de humanidade nunca antes conseguido”. 

Por fim, e jamais por último, será que um dia, em meio a tanta descrença política, haverá um sistema onde as pessoas não serão reconhecidas pelo que deixarão de fazer, mas pelo que deixarão de fazer? Difícil, impossível e pessimismo? Não, apenas guardemos nosso pessimismo para dias meritocráticos, éticos dentro da ótica de que um outro mundo e visão serão possíveis.   #Educação #História #Opinião