Circula pela internet uma foto de William Bonner, com cara de aborrecido, com a legenda: "Avisa pra Globo que em 64 não tinha internet".

A foto faz alusão ao apoio do jornal O Globo ao golpe militar de 64, apoio que o próprio jornal, em 2013, em site em que revisita sua história, reconheceu como um erro. O Globo afirma que, na ocasião, lhe parecia que apoiar o golpe era a decisão mais acertada em favor da democracia, até porque era uma "exigência inelutável do povo brasileiro". Diz O Globo: "Sem povo não haveria revolução, mas apenas um 'pronunciamento' ou 'golpe', com o qual não estaríamos solidários." O jornal afirma que não era esperado que os militares ocupariam o poder por 21 anos, e que "se aprende com os erros e se enriquece ao reconhecê-los", e conclui: "A democracia é um valor absoluto.

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Quando em risco, ela só pode ser salva por si mesma."

Dez anos antes, O Globo já atuara contra o governo de Getúlio Vargas, um governo que olhou para os trabalhadores e instituiu a CLT, a carteira assinada e o décimo terceiro. Quando da criação do décimo terceiro, a manchete de capa foi: "O décimo terceiro é o fim do Brasil". E seus carros foram colocados nas ruas do Rio de Janeiro para acusar o presidente de corrupto. Após o suicídio de Getúlio, os carros foram apedrejados e virados pelos que o amavam. Antes de morrer, Getúlio escreveu duas cartas em que afirma o mesmo: o combatem por defender o povo. Na carta-despedida, denuncia: "A mentira, a calúnia, as mais torpes invencionices foram geradas pela malignidade de rancorosos e gratuitos inimigos numa publicidade dirigida, sistemática e escandalosa."

Hoje, 62 anos após a morte de Getúlio e 52 após o início da ditadura, parece que, apesar de ter se "revisitado, reconhecido erros" e considerar "que aprendeu e se enriqueceu com eles", o substrato do pensamento global é o mesmo.

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E seu modus operandi idem. Mas, tem razão o autor da foto do Bonner, que indica que a internet é uma poderosa arma contra os de sempre, ou contra o conservadorismo. E não só a internet, como fenômeno global, mas também a inclusão promovida pelo PT, que implementou políticas públicas educacionais que, em dez anos, quadruplicaram o acesso de jovens de baixa renda às universidades. Cada jovem que entra em uma universidade acaba contaminando sua família com conhecimento.

Essa semana a diretora Anna Muylaert, do filme "Que horas ela volta?", que conta a história de uma empregada doméstica e sua filha Jéssica, que entra na universidade, recebeu o prêmio "Faz Diferença". Anna contou que, ao iniciar a divulgação do filme, pensava Jéssica apenas como uma utopia. Mas, ao fazer uma peregrinação por universidades do Brasil, conheceu as verdadeiras "Jéssicas", que se apresentavam a ela dizendo ser a primeira geração de suas famílias a frequentar a universidade. A diretora dedicou o prêmio a todas as "Jéssicas" e ao "pai" e à "mãe" delas, #Lula e Dilma, por lhes proporcionarem essa oportunidade.

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Ao democratizar a educação, Lula e Dilma gestaram uma geração engajada que engrossa as vozes dos que querem a democracia contra uma elite conservadora. O que tira da Globo a possibilidade de, futuramente, se perdoar por ter apoiado um golpe usando a desculpa de que ele era uma "exigência inelutável do povo brasileiro". Porque "o povo brasileiro", hoje, não tem mais o pensamento hegemônico, criado pela própria Globo. É uma gente que estuda, acessa a internet, debate e pensa por conta própria. Eis aí a democracia salvando a si mesma. Bonito isso. #Dilma Rousseff #Impeachment