Na tarde da terça-feira, 29/03, fomos brindados com a constrangedora ruptura do PMDB com o governo Dilma. Em uma reunião de menos de cinco minutos, o senador Romero Jucá, do PMDB de RR, consultou simbolicamente os integrantes do partido e decretou que, a partir daquela "reunião histórica", o PMDB estava fora do governo e não autorizava ninguém a exercer cargo no governo federal em nome do partido. Michel Temer não participou da reunião por considerar que a simbologia de sua presença seria muito forte, mas articulou para que ela se desse com decisão unânime.

Constrangedora por quê? Porque a reunião se deu simulando um "fato histórico", como se o PMDB, por ser um partido de políticos honestos, estivesse oficializando sua decisão de manter distância dos corruptos, os petistas, aqueles que são o "único grande problema do Brasil".

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Constrangedora porque foi comentada pela mídia como mais um passo do PMDB em direção ao impeachment de Dilma para conseguir chegar ao poder sem ser pelas urnas, o que já aconteceu em outros momentos da nossa história. Constrangedora pela presença do réu Eduardo Cunha, que zomba dos brasileiros há meses, usando manobras regimentais para prolongar o processo do seu próprio afastamento. E também pela presença de vários políticos acusados de #Corrupção.

A Agência #PT divulgou, nesse 29/03, uma matéria do Los Angeles Times que, baseada em dados fornecidos pela Transparência Brasil, afirma que os políticos que pedem o impeachment de Dilma têm envolvimento com corrupção, mas Dilma não. A matéria traz informações impressionantes. Entre elas, a de que, dos 65 membros da Comissão de Impeachment, 37 são acusados de envolvimento com corrupção.

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Sobre Dilma, a matéria afirma que, apesar de estar com a popularidade baixíssima, ela nunca foi formalmente acusada ou investigada. E são citados nominalmente, como acusados de corrupção, Michel Temer, Aécio Neves, Paulo Maluf e Eduardo Cunha.    

Na semana passada a senadora Gleisi Hoffmann, do PT, se pronunciou, indignada, a respeito de uma entrevista de José Serra ao jornal O Estado de São Paulo, em que ele confessa desejar o afastamento de Dilma desde o primeiro momento de seu segundo mandato, como se ela fosse o cerne de todos os problemas do Brasil. Na entrevista, Serra se referiu ao atual cenário econômico como positivo e se mostrou até ansioso por atuar nele. Vislumbrou um contexto pós-impeachment em que ele e seus aliados atuariam, e onde cessaria a "caça às bruxas". Gleisi Hoffmann resumiu a entrevista de Serra como o prenúncio de um acordão e como uma tentativa de resolver todos os problemas do Brasil "entregando a cabeça de Dilma e de Lula em uma bandeja" ao povo brasileiro, como se o povo não soubesse que há corruptos em todos os partidos e fosse aceitar que se parassem investigações, porque, sem Dilma e Lula, não haveria mais corrupção.

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A falta de noção de Serra ao expor tão descaradamente suas intenções e quase se autodeclarando golpista é comparável à falta de noção desse PMDB que rompe com o governo Dilma imaginando que o povo o receberá de braços abertos no poder.

Talvez esses políticos não estejam tendo tempo de ler os jornais, ou de acompanhar as últimas manifestações, ocupados que estão em tramar contra a democracia. Porque, se estivessem acompanhando, teriam percebido, pelas reações hostis dos manifestantes pró-impeachment contra Aécio Neves, Geraldo Alckmin e Marta Suplicy, que a coisa não será fácil para ninguém. Será que eles não leem sobre política? #Dilma Rousseff