O rápido aumento do número de ciclistas mortos na cidade de Florianópolis - especialmente desde dezembro de 2015 para cá, por motoristas embriagados - fez com que ciclistas e cidadãos florianopolitanos fizessem uma breve reflexão sobre a causa e a atual situação, além de aqueles, efetuarem uma manifestação inédita e emergencial na Rodovia SC-401 em janeiro (29), via de tráfego mais crítica e local onde se concentra 90% das doze mortes de ciclistas nos últimos anos.

Como de costume, é afixado uma bicicleta branca (ghost bike) no local de cada um dos acidentes, em homenagem ao amigo e como protesto por algo estúpido e brutal que poderia ser evitado com medidas básicas de prevenção em segurança se ambos os governos agissem juntos em prol da população.

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O curioso é que a maioria delas estão próximas umas das outras, o que nitidamente significa um trecho mais perigoso. A manifestação também representou mudanças necessárias em planejamento.

Desde dezembro (27) houve, um trágico acidente com morte na SC-401 - um ciclista foi atingido sofrendo ferimentos graves e levado ao hospital e o outro, o empresário Roger Bittencourt, morreu ao ser atingido por trás por uma Parati preta com placas de Florianópolis -, um motorista embriagado e alcoolizado dirigia enquanto Roger pedalava na ciclovia próximo a Jurerê; em janeiro (24), uma ciclista é atropelada e morta na mesma rodovia, em um trecho anterior ao qual vitimou Roger: Simoni Bridi , 28 anos, trabalhadora e mãe de uma filha pequena. Simoni retornava do trabalho no bairro Cachoeira do Bom Jesus, com sua bicicleta elétrica, quando um carro invadiu o acostamento e a atingiu na altura do trevo de Canasvieiras.

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O curioso foi que a Polícia Militar Rodoviária (PMRv), diz não ter sido chamada, nem recebido comunicado algum da ocorrência, a placa indicativa de dias sem mortes na rodovia seguia desatualizada há dias atrás. A Polícia Civil é a responsável agora e está atrás do autor do #Crime. Nos 2 acidentes, os motoristas responsáveis fugiram sem prestar socorro e encontram-se foragidos.

Diante destes e de tantos outros no mesmo ano, ciclistas resolveram protestar frente ao Centro Administrativo do Estado, fixando cartazes no gramado e um varal-cartaz com mais de 300 bicicletas representando o repúdio à tantas mortes e o profundo desejo pelo fim das mortes de ciclistas e transeuntes. A manifestação ocorreu em janeiro (29) à Avenida Beira Mar Norte no Quiosque Koxixo's, onde ciclistas da ilha e do continente iniciaram juntos a pedalada até o Governo. Lá, os ciclistas fecharam os dois lados da rodovia colocando suas bicicletas deitadas na mesma e iniciando os trabalhos programados. Durante a manifestação, o líder do grupo entoou palavras de ordem e fez um breve discurso para os governantes sobre os desejos e propostas dos ciclistas para uma rodovia e uma cidade mais limpa, estruturada, humana, organizada e segura.

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A ocorrência das fatalidades em sequencia, fez com que governos estadual e municipal, ciclistas e cidadãos refletissem: o que está acontecendo com a bela Florianópolis Ilha da Magia? Porque a cidade está um caos, sem fiscalização alguma no trânsito, sem segurança para pedestres, ciclistas e motoristas? Porque cada vez mais, cada ano morrem cidadãos, principalmente na SC-401? Porque não há infraestrutura adequada na rodovia para abrigar a todos, não há planejamento e engenharia viária para implantar um sistema atual, não há efetivo suficiente de policiais para fiscalizar a cidade, não há lei seca à noite nos pontos-chave, nas casas noturnas e principalmente, não há educação dos motoristas para com os pedestres e ciclistas que também utilizam a via. Se todos compartilharem a via e se respeitarem, conseguirão ir e vir o tempo todo em segurança e em paz. Porém, não se pode omitir aqui a responsabilidade dos governantes em devolver aos cidadãos uma rodovia com qualidade e toda a infra-estrutura necessária. Eles apenas assistem de camarote às mortes trágicas e famílias dizimadas. #Justiça #Comportamento