Abaixem por um momento suas bandeiras de torcida organizada dos Big Brothers e esqueçam os esteriótipos de cada um dos participantes. Esqueça que a Dona Gê é uma senhora, que a Cacau sofre com um amor não correspondido, que o Matheus aproveita as festas como você aproveitaria, que o Renan é o bonitão, a Munik a bonitona, o Ronan o filósofo misterioso, Adélia uma pessoa que esbraveja mas mantêm-se no controle e que a #Ana Paula é a louca patricinha. Esqueça tudo isso e faça o uso do Programa BBB16 para refletir um pouco sobre nós.

A Ana Paula surtou na última festa do BBB16 porque a produção não mandou muitas latinhas de cerveja para ela comemorar sua vitória no paredão triplo.

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Naquela velha história do "pão e circo" que os governantes dão à sociedade para mantê-la quieta e passiva, a produção do BBB decidiu não dar e ver o que poderia acontecer.

Então ela se rebelou, disse que iria sair. Em uma das suas justificativas ela disse para Cacau que havia entrado no jogo para disputar e competir com os outros jogadores, não com a produção. Mas é lógico que a produção discorda disso, porque o próprio confinamento e a desestabilização de todos os jogadores é uma ferramenta da produção para ganhar mais audiência.

Quanto mais louca Ana Paula ficar, melhor. E por louca não entende-se somente "bêbada". O estado emocional de desestruturado de alguém é muito mais explosivo e interessante do que o cérebro de alguém que está bêbado e que ameaça puxar briga com outra para ver o que acontece.

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Ana Paula do BBB representa muitos brasileiros, que não ganhando o "pão e circo" que recebiam antes, surtaram e reclamaram que não queria brigar contra a "produção". Pediram demissão para seus chefes abusivos, foram as ruas contra a corrupção, fizeram greve bancária, manifestações contra a Samarco e tudo mais porque a "produção do reality show" que vivemos também jogou e joga contra a gente.

Nós, brasileiros acordamos todos os dias dispostos à competir com outros "jogadores", mas no mercado de trabalho, nos avanços de pesquisas e invenções, nos esportes, na melhoria da educação, não com os nossos governantes e patrões.

A "louca do BBB" também enxergou a semelhança do jogo com o mundo real. "Isso aqui é uma pequena amostra do mundo real, com festa, Anjo, liderança. Só me fez enxergar um pouco mais. Se o povo não está brigando por um milhão e meio, está brigando por posição, por trabalho... É tudo muito igual. Só tem que saber lidar", nas palavras de Ana Paula. Ela ainda completou dizendo que sabia que não ganharia o prêmio, então não tinha porque continuar se matando dentro de um jogo que fazia ela agir contra ela mesma. 

Nós também somos assim.

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Diversas vezes paramos e pensamos "como é que cheguei à esse ponto?", e no meio desse processo, nos machucamos, estressamos, ficamos doentes.

Torcer para Ana Paula ficar ou sair é quase igual torcer para nós brasileiros aceitarmos ou não as injustiças que somos submetidos nas mãos dos nossos governantes ao longo dos anos. Discordar da falta de respeito com os idosos, das grosserias e até da voz esganiçada dela é uma coisa, mas deixar de admirar o posicionamento e a ausência de conformismo da Ana Paula do BBB, é outra.

Então, mesmo que este seja um programa de entretenimento, mesmo que você esteja mais interessado em relaxar assistindo o Big Brother Brasil e esquecer dos problemas da vida real, reflita sobre a vontade de desistir da Ana Paula como uma forma de protesto, e veja se você também não está precisando fazer o mesmo. #Opinião #BBB Big Brother Brasil