Se há um profissional que excedeu, em muito, a lei das dez mil horas, esse alguém é Luiz Inácio #Lula da Silva. 

Profissional de inegável talento e que, agora, passadas décadas de carreira e de aprimoramento, apresentou-se em pleno domínio de sua técnica na comitiva de imprensa no diretório nacional do PT, na última sexta-feira, 04. 

Não titubeia no discurso. Quando esquece de algo, quebra uma espécie de quarta parede. Pede ajuda da plateia para que ela se insira na sua linha de raciocínio. 

Afirma, categórico: Foi o melhor presidente do país. Sequer soa arrogante. A origem humilde é contrabalanço. Os outros eram diplomados.

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Getúlio Vargas, Juscelino... são da era A.L. O que conta é o pós-Lula e os números confirmam isso.

Triplicou o salário mínimo. As conjunturas econômicas anteriores, o acúmulo inflacionário, a diferença entre valor de face e poder de compra são pormenores. 

Estamos aqui falando de política. Não de assuntos técnicos. Política não é isso. Política é mobilidade de afetos.

Portanto, ele não hesita em dizer que o mundo o adora, opinião compartilhada pelos presentes e veiculada em rede pública a quem quiser ouvir.

Ganhou presentes dos quatro cantos do planeta. Tem oito contêineres de bugigangas, mas prefere um relógio que não é de ouro.

Política é a arte de contar histórias. Ele sabe disso, e melhor: sabe os arquétipos que regram uma boa história, aqueles catárticos:

O banguela que não conseguia comer castanha e ganha uma dentadura.

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O homem humilde que não entende de vinho. Entendimento elitista. 

O homem do povo que quer sempre mais, mas, ainda assim, é modesto no querer. Depois de ganhar a dentadura, o banguela pede "um carrinho".

Lula deu a dentadura. Deve ter dado o "carrinho". Fazer o quê? Sistema de saúde de qualidade, ascese cultural, engradecimento da educação, pensamento crítico não foram os pedidos. 

Há algo de cão sem dono nisso? Não, porque a gente não tem mais a síndrome do cachorro vira-lata. A gente anda, como anda nosso ex-presidente: de cabeça erguida! A teologia da salvação agradece.

Porque o Lula é justamente o homem que não entende de vinho e, por isso mesmo, o mistura com coisas pouco palatáveis, como política. E se vinho e política não são coisas dissociadas na sua fala, ele também não hesita em colocar na coqueteleira política e religião, sem parecer fazer um molotov.

Ele passou não por um, não por dois, mas por cinco milagres. Aliás, foi agente desses milagres. E, como todo agente de milagres da história das religiões, ele passa e passará por provações.

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Ele é o Abraão que terá de matar o próprio filho, o Moisés que lutará contra a pátria e a família que o adotou, a favor do seu povo verdadeiro. 

Toda vez que alguém diz que a mídia é contra o Lula, me parece que ele está falando que a mídia está para o Lula, assim como o Império Romano esteve para Jesus. A diferença é que ele não tem só 12 apóstolos e o povo não está contra ele.

A massa não deve abandonar fácil Lula. E os mais instruídos, estes, entre a cruz e a espada, percebem que parece haver, de fato, uma oposição manipuladora forte ao Lula por setores da mídia. Lhes resta, também, apoiar o ex-presidente. Entre Globo e ele, até eu fico com o Lula.

Só me resta tirar o chapéu para o profissional Lula. Independente de sua idoneidade, dou parabéns antecipado por sua reeleição em 2018, porque eles não bateram na cabeça da jararaca, bateram no rabo e ela está viva, como sempre esteve. #Lava Jato #Crise no Brasil