O esquerdismo nunca para de surpreender. Com a revelação dos já não tão recentes grampos do ex-presidente Lula, e o termo "grelo duro", usado por ele, as opiniões divergiram de novo, como era de se esperar. E como era de se esperar, a esquerda, novamente, deu sinais claros de incoerência. Vários artigos pela internet foram publicados, favorecendo o ex-presidente, e até a deputada Maria do Rosário acabou sendo retirada do ar em uma entrevista para uma rádio, por justificar e achar normal o termo, uma vez que havia sido dito em uma conversa particular. Ou seja, o machismo velado, na #Opinião dela, pode.

O real motivo

Não se trata de defender a mulher, ou gays ou quem quer que seja.

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O motivo é levantar bandeiras e rachar a sociedade. O famoso "dividir e conquistar". O importante é a permanência no poder, e essas ideias ajudam muito. Até porque existem muitos gays e mulheres que não querem saber disso. O problema está em quem se convenceu que sua individualidade se resume em apenas um único ponto.

Porém, o levantar de bandeiras não é suficiente. É preciso achar um vilão. Primeiro, algo que não pode ser atacado. Um conceito. O machismo, por exemplo. Em seguida, é necessário achar quem o represente. E para representá-lo, não é necessária uma representação real. Por exemplo, um deputado que não se diz machista abertamente, mas se coloca contrário ao movimento feminista ou parte dele. Ser contrário ao feminismo não o coloca, necessariamente, contrário às mulheres. É aí que entra a propaganda.

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O método

A propaganda trabalha para imprimir no "inimigo" as características contra as quais se quer lutar contra. Sejam reais ou inventadas, ou apenas mal interpretadas. Inicia-se, aí, um "treinamento" para odiar aquele que, a partir de agora, representa o ódio contra a sua classe (ou sexo ou o que quer que seja - se puder juntar tudo em um só, melhor). Usa-se o ódio contra o ódio, o preconceito contra o preconceito e a simples menção ao nome do "inimigo" já traz o descrédito de quem o citou e já ridiculariza o debate. O argumento dá lugar às risadinhas. Até quem é contra o método, acaba discursando a favor sempre que ataca o "inimigo". É cruel, mas funciona.

A seletividade

O problema é que os antigos valores ainda estão impressos nas pessoas e dificilmente toda a sociedade concorda com sua completa inversão. Por exemplo: boa parte das mulheres reclama da diferença salarial, atribuindo-a ao machismo (e ignorando outros fatores que podem definir tal diferença), mas ao mesmo tempo, acham absurda a ideia de sustentar o marido.

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E, embora os novos valores sejam disseminados com maior facilidade entre os jovens, os mais velhos resistem. Nem sempre conscientemente. Muitas vezes, a resistência se deve ao fato de terem sido criados em outra época. É daí que vem o uso de termos como "grelo duro".

Se dito pelo "inimigo", é um prato cheio. Mas jamais deve ser usado por um grande líder que se empenha, entre outras coisas, em lutar pelas mulheres, mesmo que aparentemente. Entretanto, ambos pertencem ao mesmo contexto social e muito provavelmente farão uso dos valores ultrapassados. Neste ponto é que reside a seletividade.

O grande líder passa a ser um homem íntegro que cometeu um deslize - que jamais deveria ter vindo a público de forma tão vil, já que se tratava de uma conversa privada divulgada com o intuito de prejudicá-lo, apenas (o mesmo deslize seria imperdoável no "inimigo", mesmo que divulgado da mesma maneira). Outra forma de seletividade é assumir que sim, o termo é completamente aceitável (porque foi dito pelo grande líder e não pelo "inimigo"). Qualquer questionamento sobre o uso da expressão que faça uso do nome do "inimigo", acaba caindo no método e o debate é ridicularizado.

Conclusão

"Grelo Duro" é uma expressão machista e preconceituosa ou não? É aceitável ou não? Depende de qual lado você está. #Lula #Lava Jato