Dia 4 de março de 2016. Logo cedo, os principais sites já noticiavam a ação da #Polícia Federal na casa do ex-presidente Luiz Inácio #Lula da Silva. O líder do PT foi levado para depor coercitivamente no aeroporto de Congonhas.

Um alvoroço se formou.  As redes sociais ferveram, junto com um país que enfrenta uma grave crise política. Críticos da ‘ditadura comunista’ comemoravam a “prisão” tão sonhada. Em frente à casa de Lula, militantes prós e contra entravam em confronto. Todas os principais canais interromperam suas programações para noticiar o fato.

Algumas coisas devem ser pensadas sobre o ocorrido na última sexta-feira.

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Diversos agentes da polícia federal fortemente armados protagonizaram um show “pirotécnico”, como classificou o ex-presidente, em frente à sua residência. Era necessário isso? Já que na própria decisão do juiz Sérgio Mouro foi ordenado que Lula não fosse sequer algemado?

Talvez a resposta esteja no fato da maioria dos meios de comunicação, declaradamente oposicionistas, já saberem da operação antes dela acontecer. O objetivo parece claro, era o espetáculo. Às primeiras notícias da operação, o mercado especulativo reagiu. Dólar em baixa e bolsa em alta. O que também diz muito sobre a ação da PF.

As suspeitas que culminaram na ação, de acordo com os procuradores, são o tríplex no Guarujá e o sítio em Atibaia, que seriam do presidente Lula e configurariam propina das empresas investigadas na Operação Lava-Jato.

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As palestras do ex-presidente também estariam sob suspeita. De acordo com Lula, em outros depoimentos ele já havia respondido as mesmas perguntas.

Alguns especialistas atribuem a suposta delação de Delcídio do Amaral (que além de não ser oficial, o mesmo nega ter feito) como motivação para a ação. Outros dizem ser uma reação à mudança no Ministério da Justiça. Os procuradores disseram que a ação prova que ninguém está acima da lei, mas daí surgem alguns questionamentos.

Por que Aécio Neves, senador tucano, citado cinco vezes nas delações da operação ainda não foi “convidado” para dar explicações? As palestras e doações ao Instituto FHC não são das mesmas empresas que doaram para o Instituto Lula?  É possível confiar numa justiça que muito longe de ser cega, parece saber muito bem enxergar quando lhe convém?

O ministro do STF, Marco Aurélio Mello, deu a seguinte declaração. “Só se conduz coercitivamente, quem se nega a depor. E o Lula nem sequer foi intimado”. Isso põe em cheque, sem dúvidas, a ação que dá inicio à 24ª fase da Operação Lava-Jato.

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O que é grave.

Vivemos uma crise política em que o Executivo tem se mostrado pífio, e o Legislativo medíocre. O Judiciário tem se sobreposto aos dois poderes e sido político, com um objetivo claro: evitar uma possível eleição de Lula em 2018, e desestabilizar um governo já desestabilizado pela incapacidade de Dilma em seguir a agenda política pela qual foi eleita. Isso é golpismo, e não tem nada a ver com a falácia de fortalecimento de instituições democráticas.

É difícil projetar um futuro de acordo com os fatos recentes. Mas a declaração de Lula à imprensa após sair do aeroporto de Congonhas dá uma pista: “se tentaram matar a jararaca, não bateram na cabeça, bateram no rabo”. Lula emergiu politicamente, e usou a ocasião como palanque político para 2018. A impressão que dá, à primeira vista, é que Sérgio Mouro elegeu o próximo presidente do Brasil. #Lava Jato