Se alguém voltar ao Brasil de um local onde ficou uma década sem notícias, vai estranhar. Ao pegar em mãos a primeira revista ou jornal e assistir algum noticiário, o espanto e incredulidade deverão se espelhar em sua face. Primeiro pensamento: será que não pegou o avião para o lugar errado? Segundo pensamento: não seria melhor voltar, se tudo o que leu, ouviu e assistiu for verdade? A situação é uma ópera bufa, como aquelas saídas dos escritos de Nelson Rodrigues. Quem sabe, para algo similar ao que dizia a pena do saudoso Stanislaw Ponte Preta, ao assinalar componentes do festival de besteiras que assolava o país na época, assim como agora e sempre.

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Estas coisas sempre existiram, somente eram menos divulgadas. Antes que o arrependimento pela última frase surja é preciso juntar as mãos e pedir que este fato não justifique o que os políticos atuais fazem.

Cinco razões para compreender o contexto atual

Razão 01: O juramento de um presidente o leva a prometer manter, defender e cumprir a Constituição, observar as leis, promover o bem geral do povo brasileiro, sustentar a união, a integridade e a independência do Brasil. Primeiro ponto negativo, principalmente quando se observa o atual estado de coisas.

Razão 02: Políticos são funcionários públicos. A lei nº 8.112 reza que estes elementos devem ser assíduos, disciplinados, com capacidade de iniciativa, produtivos e responsáveis (artigo 20). Segundo ponto negativo, ao se confirmar declaração de um político conhecido.

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Aos oitenta e quatro anos ele declara que o bom de ser deputado é que não é preciso trabalhar. Só precisa ir ao congresso dois dias por semana. Depois é só ouvir notícias pela televisão, talvez empoleirado em algum triplex no alto de um edifício de luxo.

Fato 03: Aos servidores públicos é vedado (artigo 117): ausentar-se do serviço sem autorização; retirar, sem autorização, documentos de seu local de trabalho; opor resistência ao desenvolvimento de trabalhos; promover manifestações de apreço ou desapreço; coagir ou aliciar subordinados; manter parentes sob chefia imediata; valer-se do cargo para lograr proveito pessoal; receber propina, comissão, presente ou vantagens de qualquer espécie ou utilizar pessoas ou recursos públicos em serviços ou atividades particulares. Ponto negativo quando é possível observar madames saindo do shopping, acompanhadas de segurança em carros oficiais.

Fato 04: Existe a Lei da Ficha Limpa. Emana de seu conteúdo que são inelegíveis por oito anos políticos condenados em processos criminais em segunda instância, cassados ou que tenham renunciado para evitar a cassação, entre outros critérios.

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Ponto negativo, ao se enxergar nas lides do congresso, na câmara e no senado, lideranças não somente estão sob suspeita, mas desenvolvem atitudes mais pertinentes aos líderes do mundo do crime.

Fato 05: Existe alhures um código de ética e decoro parlamentar. O dos deputados considera que os parlamentares não devem abusar das prerrogativas constitucionais asseguradas (como o faz seu atual presidente); perceber vantagens indevidas; celebrar acordos contrários aos deveres éticos (será que negociar cargos não se enquadra neste ponto?); fraudar o andamento de trabalhos legislativos, omitir informações relevantes. O mesmo código aplicado ao senado tem cláusulas semelhantes. Considerando que o bom exemplo vem de cima, o que esperar dos subordinados de ex-presidente e presidente sob suspeita, com os presidentes das duas casas também colocados em julgamento? #Dicas #Dentro da política