Desde o dia 27/04 a cidade do Rio de Janeiro conta de forma regressiva, os 100 dias para o início dos Jogos Olímpicos em território nacional. O que poderia ser um motivo de orgulho para o país, pode se tornar um grande problema internacional. A tocha com o “fogo sagrado” da cidade de Olímpia na Grécia já está a caminho do Brasil, mas a Cidade Maravilhosa tenta se desviar dos muitos problemas que tem pela frente até o dia 05/08, data da abertura oficial dos jogos. Apesar da maior parte das obras de infraestrutura estar pronta, existe também uma série de percalços que podem ofuscar o brilho do evento, fazendo com que as autoridades fiquem de sobreaviso.

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As construções das Olimpíadas no Brasil produziram mortes em alguns dos seus operários; o Rio foi a cidade do país que mais teve doentes acometidos pelo zika vírus; a rede metroviária do local, que poderia esvaziar significativamente o trânsito caótico da metrópole, talvez não fique pronta até agosto; 50% das entradas para as disputas esportivas ainda não foram vendidas ao público e podem ocorrer passeatas e confrontos gigantescos da população diante da maior crise econômica e política da nação nos últimos 30 anos, alertam as forças de segurança.

O ápice da irresponsabilidade administrativa foi o desmoronamento, em 21/04, de um pedaço da ciclovia carioca erigida acima do mar, que seria uma das heranças dos jogos à cidade. O resultado trágico, até agora, foi que 2 pessoas morreram, caracterizando o descaso e negligência da construtora que fatiou ainda a participação em outras obras dos jogos olímpicos.

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Um tanto tardiamente, Eduardo Paes, prefeito do Rio, disse ser o responsável pela fatídica queda e que punirá os responsáveis. Como se isso adiantasse diante do avançado calendário olímpico.

A inspeção meticulosa de toda a infraestrutura do evento poderá até atrasar a finalização de algumas obras que ainda estão em andamento, o que, por si só, não desanima o prefeito. Paes disse que apesar da descrença de muitos, ele conseguiu terminar o Parque Olímpico, a Vila dos Atletas, o campo de golfe e agora faltam os detalhes de acabamento do centro de tênis e velódromo.

O legado das obras do metrô, que conectarão os pontos turísticos do Rio com o bairro da Barra de Tijuca, ponto nevrálgico dos eventos esportivos, pode não ter sucesso pleno, pois as obras não foram terminadas, o espaço de tempo para testar os vagões é muito reduzido e o Estado carioca não está tendo dinheiro sequer para suprir os hospitais da cidade e pagar os seus colaboradores. Não pode ser esquecido de que esse mesmo Estado também não cumpriu a promessa da despoluição da Baía de Guanabara, que continua sendo o reservatório de lixo industrial e esgoto.

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A Copa do Mundo de Futebol de 2014 já havia reforçado a percepção, por parte de outros países, da inércia brasileira frente à necessidade de entregar as obras e também pela falta de cuidado e proteção com as vidas dos operários, tanto é assim, que já morreram 9 trabalhadores nas construções olímpicas brasileiras (na Copa do Mundo no Brasil morreram 8 operários). Na preparação dos Jogos Olímpicos de Londres, Inglaterra, nenhum trabalhador morreu.

Se o Rio de Janeiro corresponderá à grandiosidade do evento, somente o tempo fornecerá as respostas, caso contrário, os cidadãos cariocas e aproximadamente 1.000.000 de turistas previstos na cidade maravilhosa, ficarão seriamente frustrados, o que só aumentará o triste momento pelo qual o país atravessa no que diz respeito a esperança, ordem e progresso. #Natureza #Rio2016 #Crise no Brasil