Na quinta-feira, 22/04, o The Guardian publicou matéria de David Miranda sobre a crise política no Brasil, um desenho preciso do que vivemos hoje. Miranda enfatizou o papel decisivo das Organizações Globo na atual crise brasileira e lembrou seu apoio ao golpe militar de 1964. Falou sobre seu conservadorismo e sua atuação ao longo de décadas em prol dos ricos e da manutenção da desigualdade social. O jornalista percebe que o que a Globo anuncia como "um ataque nobre à corrupção" é, na verdade, um golpe contra um #Governo progressista democraticamente eleito, e lembra que o combate à corrupção também serviu como justificativa para o golpe de 64.

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Denuncia a Globo por não ter feito uma simples "cobertura" das manifestações contra a corrupção, mas ter incitado essas manifestações, protagonizadas por brancos e ricos, os mesmos que se opuseram ao PT e aos programas de combate à pobreza desde 2002, quando Lula foi eleito.

Miranda afirma que o mundo está percebendo que a corrupção é só um pretexto para os plutocratas tirarem Dilma do poder. Fica evidente, na matéria, que a votação da câmara foi crucial para jogar luz sobre o que acontece no Brasil. Políticos corruptos levantando uma hipócrita bandeira de ódio à corrupção. Para Miranda, esses "políticos" se excederam a ponto de colocar em risco seus próprios planos, pois o mundo não mais se convencerá de que seu objetivo é o combate à corrupção. Ao contrário, a grande probabilidade é de que, Dilma afastada, esse combate seja estancado.

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O jornalista fecha a matéria alertando sobre o perigo que representa essa brincadeira das elites políticas e da mídia brasileira para uma democracia tão jovem como a nossa, em um momento de tão grave crise econômica, que faz furiosos os que a enfrentam.

Ao primoroso artigo do The Guardian, a Globo fez questão de responder. Tivesse fingido não ver, seria mais bonito. Em resposta publicada como simples comentário, João Roberto Marinho faz uma refutação ao artigo que é de corar de vergonha. Negação pura da realidade. João Roberto diz que o perfeito quadro pintado por Miranda é uma imagem completamente falsa do que acontece hoje no Brasil. Nega a hegemonia global. Cita a Lava Jato como única deflagradora dos protestos, eximindo-se da responsabilidade como instigadora da população e tentando fazer o leitor acreditar que atuou com isenção. João Roberto diz que o Grupo Globo cobriu as manifestações pró e contra o #Impeachment exatamente da mesma forma, sem nunca anunciar ou dar qualquer parecer antes.

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!!!!!!!! Se o leitor tem boa memória e assiste à Globo, entenderá o porquê de tantos pontos de exclamação. Os primeiros protestos pró-impeachment, em 15/03/2015, foram anunciados durante toda a semana anterior, como uma verdadeira convocação. A Globo dedicou o domingo inteiro a uma cobertura que fez chamadas a cada 40 minutos para que a população participasse dos protestos. A revolta dos internautas foi tanta que, por 48 horas, a hashtag #GloboGolpista ocupou a primeira posição entre os assuntos mais comentados do Twitter. Isso é inesquecível. João Roberto diz que Miranda erra ao "culpar o mensageiro pela mensagem". Mas sabemos que uma mensagem pode ser completamente desfigurada pela forma como é dada. E é isso o que a Globo faz o tempo todo: desfigura a realidade. Por fim, ele afirma que a Globo continuará a fazer seu trabalho, sem se importar com quem virá a ser afetado pela investigação. O que, para quem conhece a Globo, soa como ameaça para o Brasil. É de arrepiar. #Crise no Brasil