Há não muito tempo matérias e mais matérias falavam de como a geração Y seria avassaladora para o business no Brasil e no mundo, como sua forma de trabalhar, agir e conduzir processos e procedimentos alteraria a visão mercadológica a ponto de o formalismo e a burocracia quase desaparecerem.

Mas o que houve com todos estes predestinados homens e mulheres? A resposta é simples - ou não. E é justamente por esta reposta que você identifica o profissional “moderno”, revolucionário que tanto era esperado.

No cotidiano, em qualquer área, encontramos profissionais extremamente capacitados tecnicamente, mas sem autonomia, são pessoas que não conseguem tomar decisões, muitas vezes, simples.

Publicidade
Publicidade

Escolher implica em responsabilidade e, ser responsável, ninguém quer.

O perfil do trabalhador hoje é da pessoa que quer fazer apenas aquilo que lhe foi conferido, sem surpresas, sem desafios, sem “incômodos” e olhe lá. Pensa na aposentadoria, mesmo tendo vinte e poucos, trinta anos. Até parece que é feio trabalhar.

Quando se deparam com alguém que exerce mais de uma atividade - sim! Temos alguns salvadores da pátria! – logo dizem: “Como você consegue ter tanta disposição? Tempo? Dormir? Mas você nunca sai/se diverte né?!”.

É possível sim fazer mais de uma atividade ou ser excepcionalmente bom em algum coisa. O mercado exige, hoje mais do que nunca nestes tempos de crise, que o profissional se desdobre em 2, 3, 4, para ser bem sucedido, para ter reconhecimento.

Uma grande maioria acredita que é impossível trabalhar mais do que 8 horas diárias, mas querem grandes reconhecimentos por um trabalho mediano, pensam que são insubstituíveis, invencíveis e que não há ninguém melhor do que eles.

Publicidade

Muitos só cumprem metas ou se sobressaem se houver algum sistema de gratificação.

É vergonhoso o esforço que as empresas precisam fazer para que seus funcionários trabalhem como deveriam, considerando que boa parte da mão de obra hoje é reativa. A pró-atividade virou coisa de gente inovadora, corajosa, “louca”, ou mesmo, “puxa-saco”. Aquela coisa chata que acaba tirando da zona de conforto.

Ah... a zona de conforto, o lugar mais perigoso para todo empreendimento. Permanecer lá pode significar o fim do negócio, porque quem não se reinventa, se organiza e não muda corre sério risco de ver tudo afundar e, quando essa hora chegar, vai se perguntar o porquê disso acontecer logo com ele. Vai culpar a crise, o mercado, o empregador e o raio que o parta, mas nunca vai apontar para si.

Esperamos, e esperamos demais por um bando de meninos e meninas que têm medo de sair de casa com medo de sujar o pé ou cair. Mas o que fazer? Esperar que uma intervenção divina traga bons profissionais, menos receosos, mais responsáveis?

Talvez o entrave profissional e a dificuldade no mercado façam expandir seus horizontes, ou teremos que esperar a próxima leva para pescar prodígios em potencial. #Opinião #Crise econômica