As entrevistas concedidas pelos deputados federais a Roberto Cabrini e exibidas no programa "Conexão Repórter", no #SBT, neste domingo, 24 de abril, geraram opiniões bem divergentes entre apoiadores e críticos de ambos.

Os que compram a falácia de Jean Wyllys como intolerante fecham os olhos para suas motivações diante dos atos de Bolsonaro. Como aquele mesmo declarou, Bolsonaro não fala a verdade e não age de forma honesta, colocando-se na posição de vítima de alguém que não se abre para o diálogo.

Ora, há diversos vídeos demonstrando como o diálogo de Bolsonaro é repleto de ofensas pessoais e distorções de fatos. Seu cinismo é notável.

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Se ele se diz aberto ao diálogo não significa que ele esteja aberto a ouvir e a tratar o outro de maneira respeitosa.

A maneira como Bolsonaro provoca e se comporta como um bully (bem à moda daqueles irritantes valentões do colégio que praticamente todos nós conhecemos) quando confrontado não é a de alguém maduro o suficiente para que um diálogo seja estabelecido.  A verdade é que não há oprimido no mundo que esteja disposto a “fazer as pazes” com seu opressor se este se recusa a deixar de oprimir.

O discurso de Jair Bolsonaro é repleto de falsas simetrias que ele usa como base de argumentação.

Não podemos ignorar como um fator íntimo (a pessoa com quem você se relaciona) se tornou o verdadeiro núcleo em torno do qual a sociedade se constrói. A união entre duas pessoas e sua reprodução acabou sendo a configuração básica ao redor da qual são implementadas leis e direitos aos quais todos – e não somente o agrupamento de pai, mãe e filhos – deveriam ter acesso.

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A ideia de que homossexuais procuram privilégios demonstra como os heterossexuais adeptos dela não enxergam como são, eles próprios, privilegiados – e que a busca é, na verdade, para que homossexuais tenham seus direitos (principalmente à dignidade) respeitados, o que não acontece.

Pensar que homossexualidade é um #Comportamento aprendido representa nada mais que uma falta de informação em relação a todas as pesquisas já realizadas a respeito do tema. Ninguém aprende a ser homossexual e o material produzido, e que deveria ter sido distribuído nas escolas, seria uma forma de se esclarecer e ensinar para crianças e adolescentes sobre temas variados que passam pela diversidade sexual, mas também pela sexualidade em si.

Dizer que crianças não têm uma sexualidade é de extrema ignorância e fechar os olhos é ainda pior, pois isso leva à falta de informação que resultará, por exemplo, na transmissão de DSTs entre jovens e na gravidez indesejada de garotas cada vez mais novas. Apenas quem está dentro da sala de aula e convive com os alunos diariamente – longe dos olhos dos pais, diga-se de passagem – sabe da necessidade de se ter a educação sexual como matéria escolar.

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Aliás, o próprio Bolsonaro (e um número significativo de parlamentares) poderia se beneficiar da leitura do referido material, uma vez que, claramente, ainda mostra não compreender questões como sexualidade e identidade de gênero, confundindo-as.

Não foi o homossexual que fez de sua homossexualidade a definição de quem ele é, mas o discurso médico-psicológico, o qual passou a identificar e a nomear o sujeito de acordo com suas práticas (nesse caso, sexuais). Trata-se de um fenômeno histórico bem descrito por Michel Foucault em “História da Sexualidade” e que demonstra como uma “identidade homossexual” foi construída e instituída como dispositivo de exclusão do “anormal”, uma vez que se acreditava, no início, que o homossexual sofria de uma doença.

Falar de orgulho LGBTT relaciona-se a como essas pessoas conseguem viver suas vidas e, por vezes, obter sucesso – como Wyllys – apesar de sofrerem com uma sociedade que as trata como alguém inferior ao indivíduo “normal” (já que o “normal” é majoritariamente um sinônimo de “heterossexual”). O orgulho está em não precisar se esconder e negar a própria identidade (e o amor que sentem) para viver como um indivíduo “normal”. #entrevista