Uma pergunta que não quer calar: à medida em que as tecnologias (em sentido lato) avançam e rompem barreiras inimagináveis, antes pensadas como intransponíveis, a educação se tecnologiza em níveis incríveis e globalizados; a informação torna-se massiva, invadindo todos os rincões das classes sociais; a comunicação expande seus tentáculos e assume velocidade incrível superando o lapso espaço-tempo; o ser humano passa a ser um frio conjunto de bits e bites; que avanços efetivos e claros houve para a inter-relação social?

Uma mirada superficial já parece ser suficiente para arriscar uma resposta: os conflitos intersubjetivos cresceram exponencialmente; a desagregação familiar foi potencializada; a alienação parental alcançou patamares nunca antes vistos; o ser humano, em suma, perdeu seu Norte, incentivado pela gana insana de querer sempre mais, não importando o custo desse seu desvairado sonho.

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Nos contornos da política brasileira, ficaram cada vez mais claros os sintomas que caracterizam uma luta de classes sem quartel. Em apenas treze anos, o Brasil tornou-se um verdadeiro campo de batalha sem quartel, sem normas, sem ordem, sem progresso. Os conflitos bélicos em outros cantos do planeta, cresceram em seus tons ameaçadores. As "guerras santas" pós-modernas, ao som do extremismo islâmico, colocaram em cheque todo o globo. Os discursos politiqueiros inflamaram-se, embora nada de enriquecedor e de pacificador tenham carreado à conturbada sociedade nacional e mundial.

A educação é a base da sociedade

Como compreender o recrudescimento virulento do animus vivendi nacional e mundial, se aquelas tecnologias da informação e da comunicação (TIC), supracitadas, avançaram a passos gigantescos? Simples.

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Se em tempos de outrora as instituições de educação (lato sensu) já eram escassas, hoje, com sua multiplicação desordenada, geraram um universo educativo difuso e puramente mercantilista no qual o importante passou a ser arrecadar cada vez mais, com o mínimo de esforço empreendedor.

Tergiversaram-se entendimentos (como o da dicotomia clássica feminino x masculino), oficializando-se a opção pelo sexo ao bel-prazer do indivíduo. Algo como "assuma o sexo que lhe pareça melhor ou mais interessante" e, o que é ainda pior, já desde tenra idade. Um ilegítimo crime contra a natureza humana, o qual, quando aplicado a seres ainda em formação (crianças impúberes), podem (e provavelmente irão) confundir o frágil entendimento desses indivíduos.

Em relação à educação familiar, o distanciamento trazido pela pós-modernidade às relações parentais praticamente deixou o ser em formação à deriva, sem qualquer bússola comportamental. Fundou-se, assim, a auto-educação, sem castigos, sem limites, sem orientação, sem responsabilidade.

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Para tanto, colaborou ativamente a desagregação do núcleo familiar básico, agora transmutado em brilhantes telas de TV, de jogos eletrônicos, de artefatos portáteis de inter-comunicação.

A educação (informal-familiar e formal), em suma, foi despejada sobre a responsabilidade do próprio indivíduo, cru e nu ainda, para que se auto-moldasse ao sabor da sorte (ou do azar). E é este indivíduo que ingressará a uma universidade e à sociedade como mais um profissional, suportado por uma formação nada condizente com os níveis de competitividade crescentes; que poderá ser o professor do futuro; que assumirá um cargo político e os destinos de uma nação. Um estranho e bizarro paradoxo social.

Sem educação é uma característica semelhante à de um edifício cuja estrutura de concreto foi mal calculada, frágil e pouco ou nada duradoura. Assim é também o ser humano pós-moderno. #Escola #Crise no Brasil #Desenvolvimento Tecnológico