Tempos difíceis são esses da política brasileira atualmente. É difícil descrever e delimitar qualquer tipo de conjuntura política que não seja reformulada em vinte e quatro horas. O momento é de instabilidade, fragilidade e de muitos holofotes que a política não tinha até então.

Entenda o golpe

Primeiro entenda que se você pensa que vermelho e verde e amarelo representam dois times, você está errado. Essa polarização foi uma coisa criada para que você se posicionasse de um lado. Não existem lados onde todo mundo é brasileiro. Não existe também, motivo algum pra verde e amarelo atacarem pessoas vestidas de vermelho, nem crianças, nem cachorros e nem homossexuais.

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Esqueça também o pato gigante amarelo.

 Você deve estar descontente com o governo, assim como a maioria dos brasileiros atualmente. Mas, grande parte desse descontentamento é pela durabilidade do governo PT. São dois mandatos, um em curso e dois pela frente a ser conquistado. 

Reclamar da vida já é cotidiano na vida do brasileiro tal como o sorriso diante das dificuldades. Essa mistura de lamúria e felicidade pode ser vista nas manifestações a favor do golpe contra a democracia, ou formalmente conhecidas como pró-#Impeachment. Elas são regadas a champagne, carnaval e muito ódio em belos drinques.

Esses dois aí são fatores sociais e explicam a adesão de parte dos brasileiros a favor do golpe. Do lado de lá da política, o golpe pode ser expressado por muitos outros atores e fatores simbólicos.

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Aproveitando a carruagem dos catorze anos de governo social e do PT, essa durabilidade do governo incomoda quem sempre esteve no poder. E o medo de mais oito anos de governo de esquerda e social remete ao golpe à democracia.

O motivo: Dilma é acusada de responsabilidade fiscal por assinar decretos complementares que autorizavam transações econômicas a fim de atingir a meta fiscal. Essa operação é rotineira na vida dos políticos. Atualmente, 14 dos 27 governadores do Brasil já assinaram decretos iguais ao da presidente. Só o Fernando Henrique Cardoso, ex-presidente que antecedeu o PT, foram cem decretos semelhantes ao da Dilma assinados em 2001. O ex-presidente assinou cem decretos, não atingiu a meta fiscal, e não sofreu nenhum pedido de impeachment. Dilma assinou somente quatro decretos.

A causa: O PMDB é dono da vice-presidência, da presidência da câmara e do senado federal. Atualmente o partido tem mais força na política que o PT, que comanda o governo. O partido é o antigo Arena, partido da época da ditadura militar.

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Possui inúmeros deputados que já sofreram processos e são ficha-suja.

O partido quer chegar ao poder de qualquer forma, e modificar toda a trajetória política que o PT realizou. O plano apresentado pelo PMDB atinge diretamente os trabalhadores e beneficia os ricos empresários.

Diversos direitos trabalhistas e políticas públicas implantadas pelo PT estão caindo por terra. Nessa semana, a câmara decidiu que o FGTS não será mais pago para o trabalhador dispensado sem justa causa. Outros parlamentares propuseram o fim do benefício que atingirá milhões de trabalhadores brasileiros.

Outros pontos: A representação da mulher na política onde o espaço é construído pelo homem. De um lado tentam eleger, a cada carnaval, uma musa para o golpe (impeachment). Do outro lado, a escárnio da presidente e mulher Dilma. O homem não sabe se posicionar quando a mulher é o centro e daí vem toda essa profanação diante da figura da mulher, da presidente. Toda vez que os adjetivos pejorativos imundam o substantivo Dilma ou presidenta, tocam também a toda mulher. Além da mulher, tem a mídia tendenciosa, o poder concentrado na mão de poucos e a herança colonial, tudo isso faz parte do impeachment. Por fim encontra-se em jogo toda a conquista que o governo mais social já fez por esse país, do remédio de graça para pressão ao filho do pedreiro que virou doutor. É muita conquista e pra muita gente, isso incomoda quem sempre conquistou tudo e dividiu para poucos. #Manifestação #Lava Jato