Quando o assunto é a criação de filhos por casais homoafetivos, a polêmica se mostra mais ideológica que empírica, uma vez que não existem evidências de que crianças em famílias com pais homossexuais estejam em desvantagem em relação às chamadas famílias "normais". Primeiramente, o conceito de "normal" é relativo porque, no caso de crianças geradas por reprodução assistida ou adotadas logo que nascem e criadas desde sempre com dois pais ou duas mães, a normalidade é aquele cotidiano vivido entre um casal homossexual - como bem mostrou André Lodi, filho de duas mães, no programa Altas Horas exibido no dia 2 de abril.

Na verdade, não apenas pais homossexuais podem ser tão bons quanto pais heterossexuais, como também há pesquisas que indicam que filhos de casais homoafetivos se dizem mais felizes.

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Aparentemente, o motivo de casais homossexuais se empenharem mais na criação dos filhos está no senso de igualdade e divisão que faz com que o compartilhamento das tarefas e do provimento econômico seja nivelado. Além do mais, o próprio processo para adoção das crianças costuma ser tão demorado e complexo que, por si só, serve como um "filtro" - pelo qual só passarão aquelas pessoas que realmente desejam adotar. Isso significa que esses pais tendem a ser mais comprometidos e motivados na criação.

Quando um estudo conduzido pelo sociólogo Mark Regnerus foi publicado, indicando que filhos criados por homossexuais estariam em desvantagem, conservadores e principalmente religiosos logo adotaram os dados para justificar sua posição contrária aos direitos familiares para casais formados por pessoas do mesmo gênero.

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Contudo, essa pesquisa já foi invalidada e o próprio Regnerus admitiu que as bases de seus estudos não permitiam tirar tal conclusão e que os dados não eram precisos o suficiente para tanto - e que ele mesmo não foi cuidadoso com a linguagem usada no artigo.

Desde sua publicação em 2012, o estudo de Regnerus foi contestado por uma série de outras pesquisas e, finalmente, em 2015, Brian Powell e Simon Cheng enviaram um artigo para a mesma revista em que foi lançada a análise conduzida por Regnerus em que reavaliavam os resultados e demonstravam que as diferenças entre filhos adotados por casais homoafetivos e heteroafetivos é mínima.

O que se tem revelado é que a maior parte das crianças que vivem com pais homossexuais se saem melhor nos estudos e têm mentes mais abertas. Talvez sua grande desvantagem esteja em um fator externo: o preconceito que precisam enfrentar. #Educação #Comportamento