Com o início dos trabalhos do Congresso Nacional, esse fim de semana promete um momento bastante decisivo no cenário político e econômico do país. Nesta sexta (15), acontecerá a votação baseada no relatório já aprovado do deputado Jovair Arantes, que decidirá se será instaurado o processo de impeachment ou não. Com o voto favorável, a Câmara dos Deputados vai, ao longo do fim de semana, abrir espaço para juristas, deputados, líderes de partidos e a defesa da presidente Dilma se pronunciarem durante os trabalhos, e finalmente no domingo (17) acontecerá a votação que, se favorável ao impeachment, encaminhará o processo para o Senado Federal, que por sua vez, se também for favorável, em maioria simples, afastará a presidente da República por 180 dias - com isso o vice Michel Temer assumirá como presidente interino.

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É claro que na atual fase do processo, ainda não se pode falar de culpa, uma vez que ainda não foi constatado efetivo ilícito cometido por Dilma, mas é de se estranhar que exista forte aversão e medo do rito de impeachment por parte dela e de seus aliados, uma vez que, se for constatado futuramente que não existe crime, a presidente volta imediatamente às suas funções.

Mas o que se vê é um cenário diferente, desde a guerra fria, nunca houve um momento de conflito ideológico tão forte como acontece hoje, diante dos ataques e acusações da oposição, o governo difundiu em todos os meios de comunicação, com todos os seus apoiadores e aliados, inclusive com chefes de Estado de outros países que apoiam Dilma, a ideia de um golpe de estado em andamento, para despertar mais uma vez sentimentos do passado autocrático do Brasil.

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Um outro ponto de vista

Pode se analisar alguns detalhes interessantes sobre o procedimento de impeachment e algumas peças-chave. Dilma, na última quarta-feira(13), afirmou em entrevista que a oposição tem feito forte propaganda política incapacitando a base do governo e removendo qualquer esperança de alcançar os votos necessários para barrar o processo, isso através de divulgações de dados e valores feitos pela própria Câmara dos Deputados, ainda se referiu ao presidente da câmara Eduardo Cunha e ao vice-presidente da República de chefe, e vice-chefe do golpe.

“Uma das questões mais perversas dessa história é quem comanda o meu processo”, disse ela, referindo-se a Cunha. “Mas o mais grave não é que ele presida o impeachment. É que a proposta que está na mesa contra a minha permanência no cargo de presidente tem ele como vice. Ele será o vice-presidente da República. E tem com o atual vice uma relação de profunda sociedade”.

Dilma terminou dizendo que iria propor um pacto "sem vencimentos e sem vencedores" para que oposição e base aliada recolhessem as armas e trabalhassem em prol de recuperar o Brasil.

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Atos imputados a Dilma ainda podem ser contestados no STF segundo Lewandowski.

Golpe ou não?

Muitos acreditam que tal rito de impeachment se trata de um golpe disfarçado, outros como a salvação país, criando assim dois grandes blocos contrários no país.

O rito de impeachment, como muitos juristas já trataram antes, é um processo político, ele visa constatar o cometimento de ilícito pelo presidente da república e torná-lo inapto a continuar seu mandato, o Brasil nunca viu uma onda de corrupção tão grande e tão escandalosa como se tem visto até então, nossa economia vai mal, e nossa imagem internacional caminha no mesmo sentido, como afirmou o jurista Miguel Reale: “Golpe sim houve quando se sonegou a revelação de que o país estava quebrado, quando se mascarou a situação fiscal do país.".

Atos políticos

Conclui-se então que o processo de impeachment em andamento não se trata de um golpe (embora o comportamento de interesse aparentemente tendencioso de Eduardo Cunha e Michel Temer), mas sim uma medida política para trazer o país de novo à condições aceitáveis, mas seus resultados ainda podem ser incertos, não se pode prever se isso realmente vai favorecer o país ou piorar a situação. #PT #Dilma Rousseff #Crise-de-governo