Quando o presidente Lula ganhou sua primeira eleição, acreditávamos que o PT seria capaz de melhorar o país devido a seu discurso contra a corrupção e a favor do povo. Contudo, apenas é contra a corrupção quem não conhece o poder. Aconteceu, com o Partido dos Trabalhadores, o mesmo que tem acontecido com todos aqueles envolvidos com altos cargos administrativos que possibilitam a corrupção.

Apesar de Lula ter claramente traído aqueles que nele votaram ao permitir a continuidade do roubo dos cofres públicos - prática que, no Brasil, é uma verdadeira tradição.

O maior escândalo de corrupção nacional, vale lembrar, foi o caso do Banestado, que aconteceu entre 1996 e 2000, em que cerca de 24 bilhões de dólares foram ilegalmente remetidos a bancos do exterior a partir do antigo Banco do Estado do Paraná, com o conhecimento de gerentes e diretores da instituição.

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O caso foi conduzido pelo juiz Sergio Moro e entre os condenados estava o doleiro Youssef, preso em 2004 - quando começou sua carreira como delator.

Sendo assim, entre tantas falhas e precipitações, Dilma merece pelo menos um crédito: ela deixou que a corrupção fosse combatida de uma forma inédita no país. O que acontece, na verdade, é que a prisão de tantos políticos e a revelação de tantos esquemas justamente durante seu governo faz com que as pessoas o considerem também como um dos mais corruptos - apesar de, segundo pesquisa realizada para implementação da Lei da Ficha Limpa, o PT estar em oitavo lugar na lista dos mais corruptos, atrás de partidos como PMDB e PSDB (os dois que encabeçam a lista, diga-se de passagem).

Agora, estamos diante de uma votação de #Impeachment lançada por um presidente da Câmara que é réu, coleciona acusações e suspeitas de crimes desde o período do governo Collor, visando ao impedimento de uma presidente que ainda não foi formalmente acusada de ter cometido qualquer crime.

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Aliás, na própria comissão do impeachment há um número considerável de réus que vão, ironicamente, tirar alguém do poder sob justificativa de má administração (afinal, pedaladas fiscais são sinais de má administração, mas não são crimes).

O enforcamento da presidente, a ser convenientemente exibido pela Globo, é uma tentativa clara de acalmar um povo enfurecido, mas sem direcionamento nem esclarecimento suficiente para entender a complexidade da política brasileira. Uma vez que Dilma saia do poder, é provável que passemos a ter a impressão de que há menos corrupção porque não haverá mais o combate a ela pela Polícia Federal com tanta autonomia - afinal, sabemos, a subordinação da PF ao governo do PSDB era bem maior e, considerando-se o número de políticos do PMDB com "rabo preso", o partido de Temer certamente se esforçará para atrapalhar novas investigações. #Mídia