"Bando de ingratos, depois de tudo..."

Não, #Lula não utilizou essas palavras, mas o que elas exprimem, sim, foi usado à exaustão, palavrões à parte. Traições na política brasileira são usuais, é do jogo. Não há inimizades eternas e embates espontâneos: absolutamente tudo é milimetricamente calculado de acordo com o bel prazer dos nobres políticos, tudo depende das circustâncias. Mas todos já sabem disso, sem querer, os políticos são excelentes professores da bipolaridade humana. Se o pai (dos pobres ou dos corruptos, como queira chamá-lo) realmente chorou ao assistir a votação do impeachment, a última coisa que motivou tal pranto foram as dificuldades em criar o PT: na verdade, mais parece choro de raiva, pela ingratidão de tantos companheiros.

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Não, não é somente a ingratidão dos que ele ajudou e o golpe de aliados até então eternos, uma vez que ninguém melhor para saber que o sistema é assim. Doeu mais o abandono do povo, que 'não reconhece aquele que tirou milhões da pobreza' e 'deu aos que nunca tiveram nada uma vida melhor', 'revolucionou a classe média', nela imprimindo ideais de novos cidadãos, consumidores em potencial. Alguém se atreve a desmenti-lo? Atirar-lhe às barbas um 'você não fez isso'? Não há exemplos válidos de quem o fez honestamente. Entretanto, o plano de governo do metalúrgico pecou em perder-se na mesma corrupção das "elites que há quinhentos anos até então governavam o país" Imiscuídos na mesma lama é impossível a observadores primários distinguir as particularidades dos grandes porcos.

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Estão todos sujos, e o povo canso-se, aparentemente, de ver sujeira.

O que impede o povo de deixar de ser público é a manipulação que lhes imputam. Da mesma fossa, saem a mentira eleitoral e o impeachment de cartas marcadas; um propinoduto ou policiais que batem em estudantes, obedientes às ordens de um governador acostumado a fazer o que bem entende e não admite que os prejudicados não abaixem a cabeça.

O povo nunca foi ingrato por quem não fez mais do que a obrigação para com as suas 'ideologias'. Não há, dos dois lados do muro, apenas massa de manobra: também estão ali pessoas que desejam um Brasil melhor. O que falta não são líderes que unam e dirijam o povo, mas um povo que crie e dirija seus líderes.

Aí poderemos dizer que vivemos numa democracia. Os problemas não acabarão nunca. Mas um cabo de guerra, ao invés de derrubar um incômodo bloco, arrebenta a corda e todo se machucam. #Opinião #Crise no Brasil