As eleições nacionais de 2002 levaram ao poder o sindicalista Luis Inácio Lula da Silva, que manteve-se na presidência da República por dois períodos (2003-2010), sendo então sucedido por sua pupila, Dilma Rousseff, hoje em seu segundo mandato - periclitante -, sob um expressivo índice de rejeição política e social que poderá resultar em seu impedimento constitucional, processo ora em andamento no Congresso Nacional.

A partir do momento em que se acirraram os ânimos na Corte Política de Brasília (DF), envolvendo os três poderes montesquianos - cujo nascedouro, segundo o economista Delfim Neto, deu-se a partir dos protestos de 2013 -, deflagrou-se um processo crescente de deterioração da imagem política da presidente, derivando na dicotomização da sociedade brasileira: de um lado, o segmento social crescente dos descontentes e insatisfeitos com os rumos ameaçadores da economia e da política nacional, e de outro lado a aglutinação das forças sindicalistas (a partir da CUT), dos movimentos sociais (MST, MTST, MUST, os principais) e das agremiações políticas ditas de esquerda, em defesa da presidente Rousseff.

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Instalou-se, então, um verdadeiro embate de forças entre ambos os grupos, cada um em defesa das suas convicções político-partidárias. Para o grupo dos descontentes com o #Governo Rousseff, a única saída factível seria o impedimento (impeachment) da presidente, em razão dos crimes cometidos contra a nação, processo que se encontra em andamento no Congresso Nacional. Para o grupo dos apoiadores, o impedimento é entendido como golpe, simplesmente.

A questão, contudo, não é pacífica. As bases hermenêuticas que consubstanciam o processo de impeachment estão solidamente fundamentadas. Houve, sim, uma série de crimes praticados contra a nação brasileira pelo governo federal sob a batuta de #Dilma Rousseff, presidente da República, e sua equipe de ministros. O pedido de impedimento da OAB nacional, por exemplo, cita: as maquiagens das contas públicas; isenções fiscais para a FIFA (Copa do Mundo 2014); nomeação do ex-presidente Lula da Silva para o cargo de ministro do Estado, a fim de "blindá-lo" por meio do foro privilegiado que o tiraria da alçada do Juízo Federal, encabeçado por Sergio Moro; tentativa de intervenção em julgamentos de executivos processados no âmbito da operação Lava-Jato; etc.

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Para finalizar, é cediço o rol dos supostos fatos promovidos pela presidente na negociação (compra) de votos no Congresso Nacional, a fim de livrar-se do processo de impedimento, o que configuraria a prática de crimes de corrupção, prevaricação e advocacia administrativa, fundamentando fartamente o impedimento.

Difícil desenhar um cenário provável de desfecho para o imbróglio em tela. Mas, o certo é que há uma constatação insofismável: o desgaste da figura política da presidente, seus ministros de Estado, seu partido político e apoiadores, e seu mentor, Lula da Silva, sairão deste embate seriamente abalados comprometendo-lhes o futuro político. #Corrupção