O dia começou, na Comissão do #Impeachment do Senado, com a tentativa de alguns senadores de impedir que o Senador Antonio Anastasia, do PSDB, fosse eleito para a relatoria dos trabalhos.  Os senadores Vanessa Grazziottin, do PCdoB, e Gleisi Hoffmann e Lindbergh Farias, do PT, se empenharam, ao máximo, para fazer com que os demais senadores compreendessem ser antiético ter na relatoria - que, de certa forma, interfere diretamente no resultado final da votação - alguém tão intimamente ligado aos interesses dos que defendem o impeachment. Anastasia, por ser do PSDB e, mais do que isso, por ser aliado e amigo de Aécio Neves, que combate Dilma desde o primeiro minuto de seu segundo mandato, e que carrega essa bandeira do impeachment com verdadeira paixão, realmente, por mais honesto que possa ser, não pode ser considerado alguém com isenção.

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O esforço dos senadores contrários a Anastasia foi em vão. E desde o início estava claro que seria, porque não há qualquer intenção da oposição de promover um julgamento democrático. Sua impaciência para escutar os argumentos que vão contra seu plano é flagrante, eles não conseguem sequer disfarçar. Cada fala dos que se opunham à indicação de Anastasia era interrompida repetidas vezes pelos que a defendiam, em protesto efusivo contra o que eles sabiam poder colocar em risco a efetivação do 'golpe'. E realmente poderia, uma vez que o relator é peça-chave na questão e é seu relatório que servirá como apoio à votação final. Já vimos a votação na Câmara, em que todos já sabiam qual era o voto do relator mesmo antes do início dos trabalhos. E deu no que deu.

O senador Ronaldo Caiado esbanjou antipatia e má-fé em todas as suas interferências.

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É daqueles cujo discurso tem claro objetivo de adubar sistematicamente o ódio já plantado por eles mesmos contra o PT. Alegou que o PT estava apenas procrastinando ao se opor à indicação de Anastasia. Suas argumentações foram vergonhosamente frágeis e maliciosas, em puro desrespeito ao intelecto do eleitor. Refutou a tese de que o PSDB seria beneficiado com o impeachment de Dilma alegando que o vice-presidente, que assumirá o poder se Dilma cair, é Michel Temer, do PMDB. Como se o PSDB não apoiasse efusivamente o impeachment e já não estivesse em plena negociação com o partido de Temer para a formação de um futuro #Governo.  Chegou ao cúmulo de dizer que são "exatamente" os 54 milhões que elegeram Dilma que a querem fora do governo, com a ressalva de que, se há alguns que não querem isso, é porque são beneficiários dos programas sociais do PT. Análise lamentável. É a esse tipo de político e a uma mídia que endossa seu discurso que devemos o clima de hostilidade que tanto tem nos feito sofrer e que bem algum faz ao Brasil.

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Se o PSDB não queria demora e se Anastasia realmente não fizesse parte de um jogo de cartas marcadas, não se criaria tamanha polêmica em torno do assunto, e outro relator seria escolhido, pois muitos outros senadores seriam competentes para isso e teriam muito mais imparcialidade, por não serem nem do PT, nem do PSDB.

A obstinação da oposição em manter Anastasia na relatoria mostrou claramente que ela sabe que ele atuará de forma a concretizar a admissibilidade do impeachment. Por fim, Anastasia foi eleito, com 16 votos a seu favor e apenas 5 contra. A grosso modo, Anastasia na relatoria é similar a um juiz processar alguém por algum crime e esse mesmo juiz julgar a pessoa. Qual a chance do acusado ser absolvido? E assim o 'golpe' vai de vento em popa.  

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  #Dilma Rousseff