O caótico sistema e os que com ele contribuem

Tema:  A validade de se fazer justiça com as próprias mãos.

Rubem Fonseca apresenta no romance Agosto um policial que, cansado da caótica situação em que se encontrava, pregava  "justiça com as próprias mãos", isto é, a feitura de novos crimes contra aqueles que os praticarem, visando o restabelecimento da ordem e segurança: postura a qual parece cada vez mais adotar uma sociedade exausta dos problemas que suporta.

A época do acorrentamento de um menor infrator por populares no Rio de janeiro,  dizia a jornalista Raquel Sherazade que "era de se esperar acontecimentos deste tipo, já que pouco se faz o estado para saná-los".

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De fato, embora injustificáveis perante a Declaração Universal dos Direitos Humanos, tais atos são consequência da omissão estatal perante os crescentes índices de violência.

Uma vez sucateadas e desunidas, as corporações policiais pouco influem no combate ao vilipêndio da segurança dos cidadãos. Não se evita a morte de um quarto dos brasileiros todos os anos, e na mesma linha de pensamento, 67% dos policiais declara já ter perdido algum colega assassinado.

O parâmetro judiciário pode fazer menos coisas ainda, afogado em mais de cinco milhões de processos que se arrastam sem definitiva solução. O país, dessa forma,vê-se perdido: embora existam e aprovem-se novas leis  para a promoção da paz, quem as deve fiscalizar não o realiza corretamente.

Somente nos últimos capítulo do livro, o comissário põe em prática suas ideologias, as mesmas que a população parece querer adotar em seu cotidiano.

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Para interromper esse novo costume o Ministério Público deve fomentar, como fez com a campanha "Dez medidas contra a corrupção", peças publicitárias que expliquem a gravidade do problema que, se existe devido a fadiga da plebe perante o caos em que se encontra, por sua vez histórico, deve ser remediado com investimentos numa #Educação básica e familiar que estimule a convivência e o respeito à dignidade do semelhante.

Elas também estão cansadas

Tema: a persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira.

Aos sessenta anos, Jorge Amado escrevia uma de suas mais conhecidas obras, "Teresa Batista Cansada de Guerra", cuja principal personagem, Teresa, encarou sofrimentos de toda extirpe; do abuso sexual às agressões físicas. Como ela também estão cansadas de sofrer inúmeras brasileiras, que não veem com o passar do tempo soluções para tais problemas, ainda que se tenham conquistado muitos direitos.

Nos últimos trinta e cinco anos em que derrubou-se uma ditadura e restabeleceram-se todas as liberdades democráticas, quase 95 mil mulheres foram mortas, o que denota um grave problema de saúde pública, que sucessivos governos não puderam sanar.

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No Brasil, onde há quase dez anos implementou-se a lei Maria da Penha, mais de 50% das agressões denunciadas são de ordem física. Embora exista legislação apetecível, como a recente lei do feminicídio, a prática acentua poucos avanços para o fim de tais atos.

Como Teresa, as brasileiras que passaram por qualquer tipo de vilipêndio frustram-se em vê-los ocorrer arbitrariamente. O fim de tal prática requer que as escolas públicas e privadas iniciem um novo ciclo de educação, em que os sexos sejam tratados de forma equânime. Ainda, urge apelo midiático, de iniciativa governamental para maior número de denúncias, pelas vítimas, amigos, vizinhos e parentes.

Por fim, maior contingente de prisões e condenações dos autores deste tipo de violência, fruto de uma nova política de trâmites judiciários. #Vestibular #ENEM