Na terça-feira, 26/04, Sergio Moro foi homenageado em jantar de gala da revista Time, em Nova York, como uma das 100 pessoas mais influentes do mundo. Na lista da Time, Moro aparece ao lado de líderes políticos internacionais como Barack Obama, Hillary Clinton e Donald Trump. O Papa Francisco também está nela. Figuras tão diametralmente opostas como Trump e o Papa Francisco evidenciam que a revista não faz juízo de valor sobre o tipo de influência que a pessoa exerce. De pronto, imaginamos que o Papa exerça boa influência e que Trump exerça péssima influência. Mas Moro fica lá e cá, e não concluímos se devemos encarar esse prêmio com orgulho ou pesar.

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Em 2014, na 12.ª edição do "Prêmio Faz Diferença", o jornal O Globo elegeu o juiz "Personalidade do Ano", por considerá-lo um dos brasileiros que mais contribuíram com seu talento e profissionalismo para mudar o país. A Revista americana Fortune também o apontou, recentemente, como o 13.º " líder mais influente para transformar o mundo".

É interessante observar que os três prêmios têm essa dubiedade. Assim como não importa, para a Time, se a influência é boa ou má, "mudar o país" não expressa se a mudança é para melhor ou pior. E, sobre "transformar o mundo", sempre se pode perguntar: transformar em quê? Isso tem tudo a ver com Moro. Se não podemos negar o imenso valor de um trabalho que expôs um lado podre do país e o está punindo, também não é possível aceitar algumas práticas adotadas por Moro.

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Ao receber o prêmio da Globo, Moro fez uma promessa: "O que eu posso prometer, que é um dever de juiz, é fazer o melhor de mim, para julgar o caso segundo a lei, as provas que forem apresentadas, respeitando os direitos dos acusados, das vítimas e da sociedade. O objetivo é sempre a aplicação da #Justiça de maneira imparcial, de maneira igual, julgando as provas do processo. E esse compromisso, realmente, eu tenho." Pode ser que ele até acreditasse na sinceridade das próprias palavras, na ocasião, mas suas ações não condizem com a promessa feita. Talvez muito aclamado precocemente, Moro tenha ficado vulnerável à notoriedade que conseguiu. Ou talvez haja outros motivos.

Moro desrespeita os direitos dos acusados com grande frequência. Abusa da prisão preventiva, como se ficar "enjaulado" por alguns dias não marcasse inocentes pelo resto de suas vidas. Enclausura envolvidos para obter delações sob a pressão da clausura. Vazou muita informação para endereço certo: a Globo. Autorizou uma condução coercitiva de Lula para um depoimento, sem tê-lo notificado antes, o que convulsionou o Brasil e trouxe à tona o fato de que essa é uma prática usual para o juiz.

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E, como uma fofoqueira ansiosa, sem medir as consequências, entregou correndo à Globo gravações de conversas entre Lula e Dilma quando da nomeação do ex-presidente para a Casa Civil. E de várias outras conversas de conteúdo insípido que, com a edição sensacionalista da Globo, "emocionaram" brasileiros facilmente impressionáveis. Apesar de insistir que não tem motivação política alguma, basta ter olhos pra ver a diferença de atenção que dedica a suspeitos petistas e aos de outros partidos.

Ficará na história a atuação de Moro, para o bem e para o mal. Mas é impossível, quando acompanhamos seu modus operandi, não nos lembrarmos daquela música de Chico: Acorda amor/Eu tive um pesadelo agora/Sonhei que tinha gente lá fora/Batendo no portão, que aflição/Era a dura, numa muito escura viatura/minha nossa santa criatura/chame, chame, chame, chame o ladrão...

#Lava Jato #Corrupção