Não pense no vermelho de um lado ou no verde e amarelo de outro. Muito menos pense na deposição do cargo da presidente #Dilma Rousseff. Durante mais de seis horas pudemos acompanhar de perto, por poucos segundos, a fala dos mais de 500 deputados que 'tecnicamente' são os nossos representantes na câmara dos deputados federais.

Despreparo na fala dos deputados na votação

De todos os discursos proferidos durante a longa votação do #Impeachment da presidente Dilma Rousseff, menos de um terço do tempo de fala era sobre política. Mais da metade dos parlamentares dedicou o voto a família e pessoas próximas. Cada trapalhada falada pelos parlamentares só demonstrava o tamanho despreparo daqueles que representam o povo brasileiro.

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O português foi 'assassinado' em quase todos os discursos proferidos pelos parlamentares que demonstraram despreparo total na oralidade, e errando feio em concordâncias nominais e verbais. 

A política de família e tradicional que impera no Brasil

Mais da metade dos parlamentares dedicaram seu voto aos filhos, pais e parentes próximos. Um deles tentou colocar o filho para realizar a votação do impeachment e foi impedido por Eduardo Cunha.

Ficou claro também, por que eles não aprovaram a Reforma Política, proposta por Dilma em 2013, a câmara é majoritariamente composta por homens e de pele branca. A campanha financiada por empresas ajuda a perpetuar essa 'tradicionalidade' política desde os tempos da era Vargas.

O Deus no meio da política

A maioria dos deputados utilizou de discurso religioso na hora de proferir o seu voto.

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Vale lembrar que, constitucionalmente, o Brasil é um estado laico e livre de intervenção religiosa. Não foi o que vimos no 'circo' formado durante a votação do impeachment, quatro dos deputados dedicou o seu voto à igreja Quadrangular.

Atualmente, a bancada evangélica possui uma grande força na câmara dos deputados. No meio da confusão do processo do impeachment, foi votado no início de abril, o fim do pagamento de IPTU por imóveis alugados para serem igrejas no país. O Deus sempre está no meio da política brasileira, que fora do país é vista como motivo de piada.

O cartucho de confete foi o máximo da banalização do impeachment

Destituir um presidente em um país não deve ser motivo de felicidade para nenhum cidadão. Chegar ao ponto de tirar do poder aquele que foi eleito recentemente pelo povo, deve ser motivo de tristeza, mesmo que seja comprovada a culpa de Dilma, que ainda não foi. Não há times vencedores e todos perdem com o jogo do impeachment, a economia fica fragilizada, o dólar dispara e o desemprego cresce.

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Acredita-se que nenhum brasileiro desejaria isso para o seu país, mas não parece que é isso que a maioria dos deputados que votaram desejavam.

Durante a votação do impeachment, tivemos a presença do 'deputado dos confetes', Wladimir Costa (PA) que faz de seu discurso uma banalização do exercício legal da política no Brasil. O deputado nos seus dez segundos fez questão de disparar um rojão de confetes após proferir o seu voto, e foi o que mais faltou em sessões em 2015.

Esse circo de horrores não pode se repetir

Mesmo com a possível queda de Dilma, os avanços na política e no combate a corrupção parecem que serão significativos para o país. Muitas falácias já caem por terra, no outro dia de manhã, após o pronunciamento da deputada que votou a favor do impeachment e citou seu marido que é prefeito de uma cidade em Minas Gerais como exemplo político, Raquel Muniz (PSD), teve uma surpresa em nome da moralidade.

Seu marido foi preso pela PF, por influenciar nos processos licitatórios em Montes Claros beneficiando o hospital particular, que está em nome da família dos políticos. Raquel discursou em nome do combate a corrupção, e parece que começaram por ela, de fato.

O que não pode repetir e se perpetuar são a maioria dos deputados que ali vimos na votação. Pessoas despreparadas, que em seu semblante só demonstravam poder através do dinheiro, da influência, com poucos discursos verdadeiramente políticos. #Crise-de-governo