Com discursos tão variados quanto absurdos, deputados votaram pela continuidade do impeachment, processo que será avaliado agora no Senado.

Enquanto a maioria falava pelas esposas, filhos, filhas, por Deus, pelo povo, houve parlamentar até que disse que o PT queria incentivar as crianças a mudarem de sexo (?). Aparentemente, sobre as pedaladas, nem todos compreendem.

A cada voto, deputados ao redor incentivavam; se a favor, vibravam, se contra, vaiavam. Felizmente, muitos e muitas se lembraram de que era Eduardo Cunha a presidir a sessão, a ironia das ironias. Afinal, falam de amor pela pátria e de esperança por um futuro melhor, mas quem assume o poder não é necessariamente um símbolo de dias melhores.

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Para quem acompanhava pelas telas, o clima era tão parecido com o de um jogo que sopravam vuvuzelas e faziam ofensas pessoais aos "jogadores" - principalmente à presidente. Ao fim, fogos de artifício pipocaram. Toda a comemoração dava a impressão de que o "mal" havia sido derrotado e que a corrupção estava para ser punida - sem qualquer menção ao fato de que o vencedor é um dos maiores corruptos da história do país. Temer também é acusado, na Lava Jato, de estar envolvido em esquema de compra ilegal de etanol. De fato, borbulhamos esperança pelo que vem.

Segundo a página Transparência Brasil, 303 dos 513 deputados que votaram são investigados por algum crime - não é de se impressionar se fossem justamente os que votaram pelo fim da corrupção. Agora, no Senado, 49 dos 81 senadores são investigados.

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E vão julgar uma presidente por conta de suas pedaladas fiscais.

É provável que, entre a população, quem apoia o #Impeachment o faz não por causa das pedaladas, mas por causa da crise econômica em que entramos. Não se sabe se dão conta que a saída da presidente não afetará a situação - e pode até ser que piore. Quebramos apenas por causa da má administração petista ou também por que nossa riqueza abundante vem sendo desviada por centenas de indivíduos que têm a oportunidade de ocupar cargos de poder com o nosso próprio aval? #Crise no Brasil #Crise-de-governo