Essa turma que vem nos espancando psicologicamente há dias, discursando contra a presidente Dilma e contra o PT, e fingindo esquecer-se da própria história, é, realmente, caso de polícia. Ou, talvez, seja uma fonte fértil para a psiquiatria. Somente algum distúrbio psiquiátrico pode justificar tamanha habilidade para a mentira, tamanha capacidade para a dissimulação, tamanha cara de pau perante todo um país que, se não tem o nível de politização necessário para dominar a complexidade do atual contexto, também não é tolo a ponto de se deixar enganar por lobos-maus com capinha de chapeuzinho vermelho. As garras, os pelos e a longa cauda escapam por debaixo da linda capa o tempo todo, denunciando a presença de algo maligno, mas eles insistem em querer nos fazer crer que estão apenas levando quitutes à vovozinha.

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Houve de tudo nos vazios discursos que teimam em desconsiderar a questão do crime de responsabilidade como fundamento imprescindível para o impeachment. Começando com a eterna cantilena que transforma a atual crise na "pior crise da história do Brasil", passando por discursos de partidos atolados na Lava Jato, como o PP, que tentam passar a impressão de que o "petrolão" é todinho do PT, e seguindo com um deputado do PSB do ES que, num ato falho, afirmou que "golpe é previsto na Constituição", e depois tentou remendar. Mas já tinha ficado feio.

O plenário da Câmara deve estar com seus pilares abalados, tal o nível de vergonha que deve sentir ao ter que servir de espaço para esses políticos, que se esquecem de cuidar do país para cuidar apenas de seus próprios interesses, que acusam outros de crimes que cometem e que, investigados, se atrevem a apontar o dedo para alguém que não tem sequer uma acusação formal contra si.

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Políticos que se deram ao luxo de aprofundar uma crise para usá-la como justificativa para a derrubada de uma presidente, para, assim, chegar ao poder sem precisar ter votos.

E, por que querem o poder sem ter que passar pelas urnas? Porque não têm e nunca terão um projeto para o país que possa ser apoiado maciçamente pelo povo, porque, simplesmente, não consideram as necessidades desse povo. Porque não são do povo, não sabem como é o povo, não sabem dos anseios do povo, e não entendem o povo senão como mão de obra barata para servir a uma elite e a um empresariado cujos únicos interesses são seus próprios lucros e seu próprio bem-estar.

Ocorre que quem é traidor, traidor será. Traem a Constituição, traem a presidente, traem seu país, mas já começam a trair seus comparsas.  Temer trai descaradamente Dilma, com requintes de vazamento, ao que tudo indica, proposital, de discurso "bonzinho", já como presidente. Fernando Henrique Cardoso, que plantou a primeira semente para que o que acontece hoje germinasse, aliando-se a Eduardo Cunha, defende, agora, que o PSDB apoie sua cassação.

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O deputado Waldir Maranhão, do PP do MA, vice-presidente da Câmara dos Deputados, que até agora era aliado de Cunha, decidiu, de um momento para o outro, votar "a favor da democracia e contra o golpe", com mais 12 deputados do PP. Enfim, provavelmente eles acabarão uns com os outros, porque essa é sua natureza. E tomara que seja assim, porque, se conseguirem chegar ao poder, construirão aquela "ponte para o futuro" cujo único objetivo é levá-los para um futuro fora da cadeia. E o futuro do povo que se dane. É isso que se pode esperar de golpistas: golpes. #Governo #Dilma Rousseff #Impeachment