O Papa Francisco pediu nessa sexta feira (8), que a #Igreja abra suas portas para casais de gays, lésbicas e divorciados.

O apelo foi divulgado no último sínodo mundial de bispos, para que eles sejam mais tolerantes com pessoas que tenham optado por diferentes arranjos familiares ou que vivam fora da situação regular determinada pela doutrina católica.

"Um pastor não pode sentir que é suficientemente simples aplicar as leis morais como se fossem pedras para atirar nas vidas das pessoas", afirmou Francisco num abrangente documento de mais de 260 páginas que define sua posição sobre assuntos de família.

Ele insiste em mais bom senso e que os clérigos sigam menos regras impressas.

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Ele enfatiza que "a discriminação injusta" contra gays e lésbicas é inaceitável, minimiza a idéia de "viver em pecado" e sugere que os padres devam usar seu próprio critério sobre católicos divorciados em novos casamentos para que possam tomar a comunhão.

Caminho de Jesus

O documento tem muito para agradar a ambos, liberais e conservadores, embora seja pouco provável que vá longe o suficiente para que seja apoiado por qualquer grupo dentro da igreja.

"Eu entendo aqueles que preferem uma pastoral mais rigorosa que não deixe espaço para confusão. Mas eu sinceramente acredito que Jesus quer uma Igreja voltada no caminho do amor, para que o Espírito Santo possa dar luz à fraqueza humana", escreve ele. As declarações do documento foram escritas sob o título “Amor em Família". 

Documento 'inovador'

Indagado pela imprensa sobre opções sexuais não tradicionais expostas no documento, o Papa respondeu: "Quem sou eu para julgar?" Mas o documento de sexta-feira não é simplesmente uma observação feita em uma entrevista.

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É o que se chama uma "exortação apostólica". Isso significa que é uma declaração oficial do Papa sobre a forma como os católicos devem viver suas vidas.

O reverendo James Martin, um padre jesuíta e escritor, chamou o documento de “inovador” e justificou, “Seu objetivo é ajudar as famílias, na verdade, todo o mundo, no amor, na experiência de Deus e saber que eles também são membros bem-vindos da Igreja",

Divorciados

No trecho sobre os católicos divorciados, cuja vida religiosa Francisco tornou uma prioridade para facilitar suas vidas espirituais, o Papa escreve: "Os divorciados que contraíram nova união devem ser acolhidos para se sentir parte da Igreja."

Francisco tem apelado para tornar mais fácil para os casais católicos obter a anulação de seu casamento. Inclusive, redigiu um trecho no documento que lhes permita continuar a participar plenamente na vida da Igreja e se casar de novo, inclusive tomando o sacramento da Comunhão.

Forma 'superior e completa' de união.

Porém, o documento reitera que o casamento entre um homem e uma mulher continua a ser o ideal católico, "superior" a outras formas de união.

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Em nota a imprensa, o reverendo Martin afirmou, "A fim de evitar qualquer mal-entendido, gostaria de salientar que de nenhuma maneira, a Igreja deva abster-se de propor a idéia completa do casamento", 

A "grande variedade de situações familiares pode oferecer uma certa estabilidade, mas as uniões de fato ou de pessoas do mesmo sexo, por exemplo, não podem ser simplesmente equiparadas com o casamento", diz ele.

Critérios Culturais

"Cada país ou região, pode procurar soluções mais adequadas à sua cultura e deve ser sensível às suas tradições e necessidades locais", escreve o Papa em um possível esforço para satisfazer ambos, liberais e conservadores, descentralizando a autoridade. #Religião #Tendências